O alho pode ser mais poderoso para a saúde bocal do que se imagina. Pesquisadores revelaram que uma substância presente naturalmente no extrato desse alimento consegue combater as bactérias presentes na boca humana.
Segundo um estudo feito pela Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, publicada em setembro no portal ScienceDirect, a cavidade oral humana abriga uma complexa comunidade microbiana, com inúmeros patógenos implicados no desenvolvimento de doenças bucais como gengivite, periodontite e cárie dentária.
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Dada a contribuição crítica desses microrganismos para a progressão das doenças bucais, a implementação de intervenções antimicrobianas eficazes é imprescindível para a prevenção e o controle delas.
Para isso, diversos enxaguantes bocais utilizam a clorexidina, um antisséptico conhecido por sua eficácia em diversas aplicações médicas e odontológicas devido às suas propriedades antimicrobianas, com efeitos bactericidas.
Por que o alho faz bem para a saúde bocal?

Apesar do uso sintético da clorexidina ajudar a combater doenças como gengivite e cáries, a aplicação prolongada tem sido associada a efeitos colaterais como alteração do paladar, xerostomia, sensação de queimação, dormência oral, formação de tártaro e manchas nos dentes e na língua.
Além disso, a exposição prolongada ou em baixos níveis pode promover resistência antimicrobiana e resistência cruzada a antibióticos. Uma alternativa tem se mostrado interessante: o alho.
Os pesquisadores avaliaram mais de 380 artigos e estudos clínicos que mostram como o extrato de alho apresenta eficácia antimicrobiana comparável à da clorexidina, podendo ser utilizado como um substituto no tratamento. O alimento é conhecido por suas propriedades antimicrobianas naturais, apesar das evidências clínicas do seu efeito na boca ainda serem limitadas.
A eficácia variou de acordo com a concentração do enxaguante bucal e a duração da aplicação, contribuindo para as diferenças nos resultados. Em todos, houve reduções significativas na contagem bacteriana em relação aos níveis basais.
Alguns artigos comentaram sobre o aumento da concentração de clorexidina para manter o pH da saliva elevado e manter uma boa digestão, enquanto outros avaliaram que certos limites de concentração seriam mais interessantes.
Contudo, efeitos colaterais como sensação de queimação e sabor desagradável podem afetar a adesão do paciente ao tratamento. Os cientistas concluíram que serão necessários mais estudos clínicos com amostras maiores e acompanhamento mais longo para confirmar a eficácia e melhorar a aplicabilidade clínica.
