O caso envolvendo Carla Zambelli avança na Justiça italiana e entra em uma fase decisiva nesta semana. No dia 27, está prevista uma audiência considerada fundamental para avaliar um novo recurso apresentado pela ex-deputada, que tenta evitar sua extradição para o Brasil. Zambelli já perdeu decisões anteriores e mantém ainda duas possibilidades formais de contestar o processo.
O ponto central, segundo autoridades que acompanham o caso, é a posição do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni. O Executivo italiano comunicou às autoridades brasileiras que não pretende impedir a extradição caso os tribunais do país autorizem o envio de Zambelli de volta ao Brasil. A decisão final, após a análise judicial, cabe ao governo de turno — neste caso, a própria gestão Meloni.
De acordo com informações transmitidas à diplomacia brasileira, o governo italiano pretende respeitar integralmente o que for determinado pela Justiça, sem adotar medidas que funcionem como proteção à ex-parlamentar. A sinalização ocorre mesmo com a presença de Matteo Salvini na coalizão que sustenta Meloni. Salvini, que já demonstrou proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro, tem enfrentado perda de espaço dentro do governo, especialmente na área de política externa.
Relatos apontam que Salvini tem provocado atritos internos e acabou sendo afastado das decisões internacionais mais sensíveis. Meloni conduz essa área com base nos interesses de seu partido e também em fatores econômicos considerados relevantes para a Itália. Entre esses elementos está a cooperação recente do governo brasileiro na extradição de integrantes da máfia italiana.
Outro ponto avaliado em Roma é a atual relevância política de Zambelli. Segundo fontes consultadas pelo governo italiano, ela não exerce hoje influência significativa nem dentro de sua própria sigla no Brasil. A percepção em setores da administração italiana é a de que não haveria razão para assumir um custo político em um caso que nem mesmo o partido da ex-deputada estaria disposto a sustentar.
Há ainda o impacto de declarações anteriores de Zambelli, feitas quando ela já estava fora do Brasil. Em uma dessas ocasiões, afirmou que, por estar na Itália e possuir passaporte italiano, seria “intocável”. A frase repercutiu negativamente em setores do governo e foi recebida com irritação por autoridades italianas envolvidas no processo.
Com a aproximação da nova audiência, o desfecho depende agora do andamento judicial e de como o Executivo italiano irá agir após a decisão dos tribunais. Até o momento, a sinalização é de que Roma seguirá estritamente o rito legal e não interferirá caso a Justiça autorize a extradição.
