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Bruna Allemann
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Jornalista especializada em economia e finanças, Bruna Allemann descomplica o mercado financeiro e orienta sobre as melhores práticas de economia pessoal, investimentos e planejamento financeiro.

Usar o 13º para renegociar dívidas pode facilitar o planejamento financeiro de 2026

Falar sobre finanças no fim do ano costuma trazer uma sensação comum: muita gente imagina o 13º salário como um convite para gastar. É por isso que começo esta coluna reforçando algo que repito sempre — esse dinheiro tem um papel importante na organização financeira, especialmente quando pensamos no início do ano que se aproxima.

O 13º é uma oportunidade para olhar a vida financeira como um conjunto e identificar onde ajustes são necessários. Para quem está endividado e começa a receber a primeira parcela, este é o momento de considerar a renegociação das dívidas. A coincidência com a semana da Black Friday, seguida pela Cyber Monday e pela primeira semana de dezembro, costuma trazer condições melhores para quem precisa negociar valores antigos, já que essas dívidas geralmente recebem descontos maiores.

Quando os juros embutidos parecerem abusivos, existe a possibilidade de consultar órgãos como o Procon e solicitar que a instituição financeira reveja as taxas. É importante lembrar que, pela legislação atual, nenhum banco pode cobrar mais de 100% do valor devido originalmente em faturas de cartão de crédito. Em casos mais complexos, recorrer a um profissional do direito do consumidor ajuda a garantir que a renegociação respeite os limites previstos e não envolva valores acima do permitido.

Renegociar exige atenção à ordem das prioridades. As dívidas com juros mais altos, como crédito rotativo e dívidas bancárias em geral, merecem ser tratadas primeiro. Mesmo quando o valor devido não é o mais caro, é necessário considerar situações em que um bem foi usado como garantia — como carro ou imóvel. Nessas circunstâncias, evitar a perda do bem se torna essencial, e a renegociação deve considerar esse risco antes dos demais.

A primeira parcela do 13º pode ser usada para quitar ou renegociar parte dessas dívidas, sempre buscando parcelas que caibam no orçamento. Depois disso, é importante separar parte do valor restante para começar a construir ou reforçar a reserva de emergência, etapa fundamental para reduzir a vulnerabilidade financeira.

Para quem não tem dívidas, o momento é propício para reforçar os investimentos e direcionar a segunda parcela para despesas do fim do ano e para as contas que chegam logo em janeiro. Muitas vezes essas obrigações são esquecidas ao longo de novembro e dezembro, mas voltam a pressionar o orçamento no começo do ano seguinte.

Essa organização contribui para evitar situações de aperto financeiro e ajuda a construir um início de ano mais equilibrado. As decisões tomadas agora trazem consequências para os meses seguintes, e o planejamento torna esse processo mais previsível.

Com essa reflexão, reforço a importância de usar o 13º salário de forma estratégica. A segunda parcela pode, sim, ser destinada aos gastos típicos do fim do ano, desde que as etapas anteriores tenham sido cumpridas com atenção. As despesas de janeiro chegam para todos e não costumam ser leves, motivo pelo qual o planejamento antecipado faz diferença.