O presidente do São Paulo, Julio Casares, participou da Summit CBF Academy e apresentou um panorama dos principais desafios e prioridades da atual gestão, com foco na reestruturação financeira do clube, nos impactos do Fair Play Financeiro e nas recentes decisões envolvendo o Morumbis.
Reestruturação financeira e Fair Play Financeiro
Casares relembrou que o São Paulo iniciou 2022 com uma dívida de R$ 606 milhões, cenário que exigiu mudanças profundas e uma reorganização administrativa. Ele destacou que a diretoria trabalha para equilibrar as contas com apoio de iniciativas, como o FDIC (Fundo de Desenvolvimento do Futebol), e projeta superávits para os próximos anos.
“Nós trabalhamos muito claramente em dois tempos. O primeiro momento foi conectar o São Paulo novamente à vitória. E o segundo é a reestruturação financeira, que estamos observando agora. Eu não sou de dar nota; a avaliação deve ser feita no final da gestão. Teremos um balanço agora e outro em 2026. O importante é que não faltou trabalho e, principalmente, que não vivemos do passado, porque precisamos olhar o que aconteceu. Este ano não foi muito bom no nível esportivo, mas, nos anteriores, conquistamos dois títulos: um contra o Palmeiras, um time extremamente consolidado, e outro contra o Flamengo, um dos melhores clubes do Brasil.”
O presidente reforçou que o Fair Play Financeiro trará novas limitações, mas afirmou que o plano da gestão é manter responsabilidade sem abrir mão da competitividade.
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Competitividade e títulos
Mesmo com o cenário financeiro delicado, o São Paulo acumulou conquistas recentes, como a Copa do Brasil de 2023, e segue mirando alto. Casares ressaltou que a reorganização financeira não reduzirá a ambição esportiva do clube.
“Em 2023, nós ganhamos do Flamengo na Copa do Brasil com um quadro parecido: dívida, jogadores com mais idade, e mesmo assim conquistamos aquele título. Então acredito que dá, sim, para ser competitivo com equilíbrio de custos. O Mirassol é um exemplo claro disso. Nós precisamos entender que jamais vamos deixar o futebol em segundo plano. O futebol é a razão central, é a prioridade. Não faremos nada além do que é possível fazer.”
Decisão técnica sobre o gramado do Morumbis
Casares também explicou a decisão de não usar o Morumbis no último jogo do Brasileirão, afirmando que a escolha foi tomada de forma colegiada, com base em critérios técnicos relacionados à preservação do gramado e dos atletas, especialmente após o acúmulo de eventos e a mudança de calendário.
“A decisão colegiada nos aconselhou a reconhecer o seguinte: nós não teríamos uma qualidade de gramado suficiente, melhor do que a da Vila Belmiro. E o São Paulo está sofrendo tantas contusões que a nossa expectativa era preservar o atleta numa fase mais aguda. Então tivemos que dar um passo atrás. Mas essa não é a razão do protesto, até porque eu entendo o protesto como algo normal. Eu sou mandatário, eu entendo e também tenho frustração pelo ano. Teve um protesto outro dia, com a maior tranquilidade. Eu só acho que, neste momento, nós tivemos que decidir e foi de forma colegiada.”
O dirigente classificou como natural a manifestação dos torcedores, mas reforçou que a decisão foi baseada em fatores técnicos. Para evitar problemas operacionais, o clube deixou a Vila Belmiro preparada como alternativa emergencial.
