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Apenas 2% de quem diz estar “viciado no Instagram” possui sintomas, aponta pesquisa

Intuito do ensaio do grupo Nature é diferenciar "hábito" de "vício", visando melhor abordagem sobre a questão clínica e rotineira do uso da rede social

Você se considera uma pessoa viciada em redes sociais? O tema já é debatido há muito tempo, especialmente em se tratando de redes multimídia como o Instagram, mas um estudo do grupo Nature revelou que existe uma confusão entre o que as pessoas entendem por “vício” e apontou que uma minúscula parcela das pessoas são realmente viciadas na rede social de fotos e vídeos.

Segundo o estudo, apenas 2% das pessoas que participaram da pesquisa apresentaram, de fato, sintomas de vício – isto é, o chamado risco clínico de dependência. O ponto do estudo é explicar as consequências da percepção exagerada e da confusão do que é “vício” com o que é um “hábito”.

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O texto aponta que foram realizados dois estudos com um total de 1.204 adultos usuários do Instagram: no primeiro, 380 destes usuários superestimaram seu chamado “vício”, e aqueles que se viam como mais viciados apresentavam menor habilidade de controlar o uso. A pesquisa afirma que “a percepção de vício provavelmente vem da frequente rotulação de redes sociais como ‘viciantes’ (ao invés de formadora de hábito) por parte da mídia popular”.

No segundo estudo, 824 dos voluntários “demonstraram experimentalmente que enquadrar o uso frequente do Instagram como vício tem consequências nocivas para a autoeficácia do usuário, incluindo a redução do controle percebido sobre o uso das redes e o aumento da autoculpa pelo uso excessivo”.

Em outras palavras, os dois estudos propõem que 1) se ver como viciado, sendo ou não, afeta sua capacidade de controlar seu uso de redes sociais; e 2) ver o uso excessivo como vício, sendo ou não, faz o usuário se sentir culpado.

O texto ainda diz em seu abstrato que esse entendimento equivocado pode impedir usuários de encontrar “estratégias efetivas que podem ser usadas para controlar hábitos de uso excessivo”.

Controle percebido sobre o vício

Os voluntários, no primeiro estudo, responderam perguntas simples sobre sua relação de uso com o Instagram nos últimos seis meses, avaliando as seguintes situações em uma escala de 1 a 5:

  • Passou muito tempo pensando ou planejando usar o Instagram (saliência);
  • Sentiu vontade de usar o Instagram mais e mais (vontade);
  • Usou o Instagram para esquecer dos seus problemas pessoais (alteração de humor);
  • Tentou e não conseguiu reduzir o uso do Instagram (falha em reduzir o uso);
  • Sentiu problemas como inquietação, irritabilidade e outros ao ser proibido de usar o Instagram (abstinência);
  • Usou tanto o Instagram que chegou a afetar o trabalho ou os estudos (conflito de vida).

Para o segundo estudo, o grupo manipulou experimentalmente a percepção dos voluntários de forma a fazer parecer com que estavam viciados no Instagram, usando linguagem clínica e verossímil. Em seguida, os voluntários responderam perguntas autorreflexivas e/ou comparativas.

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Conforme o estudo, nada mudou no comportamento real deles quanto ao uso do Instagram se não a percepção, isto é, o rótulo, que atribuíram a eles mesmos de “viciados”; mesmo assim, foi o suficiente para parte dos voluntários relatasse menor controle sobre o uso da rede, autoculpa por passar muito tempo no aplicativo, e uma crença de que precisavam reduzir o uso dele.

O intuito da pesquisa é mostrar que, derrubada a falsa percepção de que muitos estão “viciados” nas redes sociais, fica mais fácil de se organizar medidas pessoais e públicas tanto para acolher e tratar aqueles que realmente precisam, quanto para ajudar aqueles que não estão viciados, mas sentem que criaram hábitos ruins e desejam quebrá-los – o que é muito mais fácil do que tratar uma compulsão clinicamente.

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