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Dani Mel
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Locutora e apresentadora, Dani Mel já passou pelas principais emissoras de rádio do País, como 89 FM, Kiss FM, Transamérica, Rádio Eldorado e Cultura Brasil. Atuou como produtora dos shows no Brasil dos Rolling Stones, U2, Paul Mc Cartney, Ramones, Sting e Guns n’ Roses. Fala sobre música, comportamento e cultura pop.

Guns N’ Roses anuncia oito shows no Brasil em 2026 e faz merecido tributo a Ozzy Osbourne e ao Black Sabbath

O Guns N’ Roses anunciou nesta segunda (24) uma série de shows no Brasil em 2026. Além da apresentação já divulgada no Monsters of Rock, em São Paulo, eles passarão por Porto Alegre, São José do Rio Preto, Rio de Janeiro, Vitória, Salvador, Fortaleza, São Luís e Belém.

O grupo veio ao Brasil em 2025 com a mesma turnê, “Because What You Want and What You Get Are Two Completely Different Things”, passando por São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Cuiabá e Brasília.

Na décima vinda ao Brasil, o Guns N’ Roses mostrou que ainda consegue superar polêmicas passadas e se manter querida, mesmo sem lançar álbum desde 2008 e com Axl Rose bem longe de sua melhor forma vocal.

A única coisa que explica a devoção do público é a nostalgia, uma memória afetiva que faz quarentões e cinquentões se lembrarem de quando tinham metade de suas idades atuais.

Podem falar que o Axl está com a voz do Mickey Mouse e que não consegue mais repetir os agudos potentes dos primeiros discos. Verdade. Mas hoje, sinceramente, num show do Guns, o que vale é a força de canções como “Sweet Child o’ Mine”, “Paradise City”. “Welcome to the Jungle” e o costumeiro dueto com o público em “Knockin on Heaven’s Door”.

Se Axl não alcança as notas, o público canta por ele. Vai cantar sempre. E posso falar? A vibe de um show de rock é única. Cura tudo. Você sai de alma lavada. O ritual de estar ali participando daquilo é catártico. Ver várias gerações unidas pela música é lindo.

Sobre Axl: Como esperar de um homem de 63 uma performance com vocais tão agudos? É natural que a voz de um cantor se torne mais grave com o tempo. Poderia baixar o tom? Poderia. Mas talvez as músicas perdessem um pouco o punch, a força.
Além disso, a banda merece ser elogiada por sempre fazer shows longos, com uma média de três horas de duração. Uma saída seria colocar mais integrantes para cantar, um time de vocais de apoio, algo comum em bandas veteranas. Seria um reforço e um respiro para Axl. Mas parece que ele prefere dar a cara a tapa.
E tudo bem. Roberto Medina, fundador do Rock in Rio, talvez seja a pessoa que melhor soube resumir o fascínio dos fãs da banda.

“Se eu trouxer de novo o Guns, a mídia vai dizer que o Axl não tem mais voz, muitas pessoas podem reclamar, mas vai lotar outra vez. Eu respeito muito quando você passa a ir além da sua música e se torna uma entidade”, definiu. Eu assino embaixo.
O setlist do show teve ainda uma homenagem a Ozzy Osbourne. O líder do Black Sabbath, que morreu neste ano, foi celebrado com “Sabbath Bloody Sabbath” e “Never Say Die”

O convite ao Guns para participar do Back to the beginning, show de despedida do Black Sabbath em Birmingham, em julho deste ano, na Inglaterra, trouxe momentos emocionantes.

Olha como tudo aconteceu: Tom Morello, guitarrista, cantor e compositor nas bandas Rage Against the Machine e Audioslave, que já tocou com Ozzy em diversas ocasiões, foi o diretor musical do show.

A princípio, ele convidou Slash para participar do tributo. A idéia inicial era apenas ele e Duff McKagan tocando juntos. Em seguida, Axl Rose se interessou pela ideia e, quando começaram a ensaiar, Richard Fortus e Isaac Carpenter se juntaram a eles. Logo, virou uma apresentação do Guns N’ Roses.

Dessa experiência, surgiu um momento marcante, quando Slash teve a oportunidade de apresentar Axl a Ozzy Osbourne. Os dois não se conheciam pessoalmente e, segundo Slash, Ozzy sempre lhe dizia o quanto amava Axl.

Olha o que disse Slash: “Ozzy e eu nos conhecemos há muito tempo e somos amigos desde então. Não que ele viesse aos shows do Guns N’ Roses o tempo todo, mas eu, de tempos em tempos, tocava com o Ozzy e o via. Mas eles nunca se cruzaram, então essa foi a primeira vez. Ozzy dizer o quanto amava Axl e Axl realmente ver o respeito genuíno que Ozzy tinha por ele foi muito importante para Axl”, confessou.

Axl Rose e Ozzy Osbourne sempre tiveram um relacionamento de respeito mútuo entre lendas do rock, e o primeiro e único encontro entre eles aconteceu, de fato, em julho de 2025, nos bastidores do show de despedida do Black Sabbath. Os dois expressaram grande emoção e admiração um pelo outro, com Ozzy chamando Axl de “um verdadeiro cavalheiro” e Axl se declarando emocionado por conhecer Ozzy e sua família.

Olha o que ele publicou no X/Twitter: “Uau!! Que evento!! Extremamente avassalador!! Foi muito emocionante para todos!! CONHECI OZZY!! (Louco que a gente nunca tenha se conhecido antes!!)”. Ele ainda elogiou a força de Ozzy diante dos desafios de saúde e agradeceu ao Sabbath, Sharon Osbourne e aos fãs pelo carinho. O clima foi de admiração, reverência e, acima de tudo, paz no backstage.

Ozzy retribuiu: “Meu primeiro encontro com Axl Rose. Na minha idade você não conhece muitas lendas, realmente, falando sério, ele foi um verdadeiro cavalheiro”

O Guns tocou quatro músicas do Black Sabbath no evento, que foi o último show da carreira do Ozzy.

É comum que o Guns N’ Roses inclua releituras no setlist de seus shows. Músicas como “The Seeker”, do The Who, e “Wish You Were Here”, do Pink Floyd, já estiveram presentes nos repertórios.

Sendo assim, após tocar no festival de despedida do Black Sabbath no último dia 5 de julho, a banda resolveu manter um dos covers executados no evento em sua própria turnê: “Sabbath Bloody Sabbath”.

O encontro entre Axl e Ozzy sela um capítulo de respeito e conexão entre diferentes vertentes do rock. E mais do que isso: prova que, quando a história do rock se encontra no mesmo tempo e espaço, ela faz o que sempre fez de melhor: derruba barreiras, une gerações e deixa fãs do mundo inteiro com um sorriso no rosto. Lendas homenageando lendas. Esse é o verdadeiro espírito do rock. Vai ser sempre.