Há cerca de 10 anos, a Black Friday entrou para o calendário oficial do varejo no Brasil. Seja para antecipar as vendas do Natal ou aquecer economicamente o último trimestre por mais tempo. Dados da Abiacom, apontam que a Black Friday movimentou R$ 7,93 bilhões no comércio online em 2024.
A professora da ESPM, Karine Karam, avalia que o cenário é favorável para o varejo em 2025. Com inflação mais controlada e maior confiança do consumidor, a expectativa é de um novembro forte em vendas. Segundo estimativa da CNC (Confederação Nacional do Comércio), a data vai movimentar R$5,4 bilhões, registrando um crescimento de 2,4% em relação ao ano passado.
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Nos Estados Unidos, a data acontece depois do feriado de Ação de Graças como forma de queimar os estoques de alguns produtos do varejo. Segundo a especialista em marketing, a data foi “tropicalizada” para atender às necessidades do varejo local, onde a lógica não é liquidar estoque antigo, mas criar um cenário de consumo de longo prazo.
“Quando você descobre um gatilho de venda é tentador deixar ele mais tempo para colher mais frutos ”, afirma.
O fenômeno da Black Friday prolongada também se explica por outra lógica: a pressão competitiva entre varejistas. Karam explica que quando um grande lojista abre o mês com descontos, os demais seguem na mesma estratégia para não perder fluxo de clientes.
“É um movimento coletivo. Se eu, varejista, fico só para a sexta-feira, deixo meu consumidor ir para o concorrente”, diz.
Para muitos consumidores, o mês de novembro desperta o sentimento de urgência. O excesso de campanhas, anúncios e influenciadores reforçando o tema cria o chamado fear of missing out (FOMO), o medo de perder uma boa oferta.
“Mesmo quem não planejava comprar acaba fisgado pela narrativa coletiva”, observa.
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Práticas danosas da publicidade na Black Friday
Com a popularização da data, os brasileiros passaram a monitorar preços com antecedência para se proteger de práticas enganosas, como a prática de elevar valores antes da data para aplicação de descontos na data.
“As pessoas já pesquisam preços em outubro para ter parâmetros. Essa história de ‘metade do dobro’ acontece, mas o consumidor está mais esperto”, explica Karam.
Ainda assim, práticas de “iscas promocionais” seguem no radar. Ofertas com 70% ou 80% de desconto frequentemente se aplicam a um ou dois produtos, enquanto os itens mais desejados mantêm reduções mais modestas.
“Isso não é estratégia de marketing, é enganação, marketing de verdade não prega a mentira”, critica a especialista.
E quem não comprou?
De acordo com a especialista, janeiro também oferece boas oportunidades — especialmente em moda e itens sazonais — por causa da necessidade de queimar estoque após o Natal.
Mas ela alerta: eletrônicos raramente ficam mais baratos no começo do ano, já que não fazem parte dessa lógica de reposição.
“É difícil ter promoções iguais às de novembro para celulares, TVs e notebooks”, afirma.
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