TMC flagra venda de bebida alcoólica em bar interditado após mortes por metanol

Apesar de atendente do bar negar venda de bebida alcoólica, reportagem da TMC gravou o momento em que garçonete vende cerveja

Por Redação TMC | Atualizado em
A imagem é uma composição lado a lado que mostra duas cenas distintas: a primeira (à esquerda) é o interior de um bar com um homem, e a segunda (à direita) é a fachada externa do estabelecimento.
Torres Bar está interditado após mortes por metanol consumido no local. (Foto: Raphael Thebas/TMC e Google Maps)

Meses atrás, uma crise sanitária se instalava no Brasil, especialmente em São Paulo, a respeito do consumo de bebida alcoólica. Naquele fim de outubro, dois jovens que estavam num bar mal sabiam que, mais tarde, reagiriam a uma substância misturada aos produtos que ingeriam.

O local em questão é o “Torres Bar”, localizado na Mooca, bairro paulistano conhecido pela agitada vida noturna. Após a confirmação dos óbitos e a causa deles, o estabelecimento foi interditado. 

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Isso porque, na bebida dos jovens, havia metanol, substância que, na pior das hipóteses, leva à morte, sem contar as sequelas àqueles que sobrevivem, como cegueira.

Uma das vítimas é Ricardo Lopes, de 54 anos, que morreu horas depois de consumir bebida alcoólica no “Torres Bar”.

Dias mais tarde, mesmo com determinação do poder público para a interdição do bar, Marcos Antônio Jorge Junior, de 46 anos, também morreu por intoxicação por metanol, após passar a noite com amigos no local.

Denúncia

Passados dois meses do auge da crise, a nossa reportagem recebeu denúncias de que o “Torres Bar” funcionava novamente, apesar da proibição. A reportagem da TMC, então, foi confirmar a queixa. A seguir, assista à apuração do repórter Raphael Thebas:

Em ligação telefônica, uma funcionária do “Torres Bar” afirmou que o local teria obtido autorização judicial para funcionar e que não estaria vendendo bebidas alcoólicas.

“Temos autorização, e não vamos vender bebida”, disse uma atendente.

No entanto, nossa equipe constatou o contrário. Com um gravador, pedimos uma cerveja, e a venda foi realizada normalmente.

  • Repórter: “Eu vou levar uma cerveja. Qual tem?”.
  • Garçonete: “600 [ml] ou long neck?”.
  • Repórter: “600 [ml]”.
  • Garçonete: “Tenho Brahma, Heineken Original, Becks, Spaten, Eisenbahn”.
  • Repórter: “Débito”.
  • Garçonete: “Aproxima?”.
  • Repórter: “É de inserir”.

Manifestação da prefeitura

Procurada, a Secretaria Municipal da Saúde informou que o estabelecimento permanece oficialmente interditado. A nota ainda afirma que o bar chegou a descumprir a medida e uma nova inspeção foi realizada, mas a interdição segue em vigor.

Leia mais: STF começa a julgar ação sobre volta de sistema que controla produção de bebidas

A reportagem da TMC entrou em contato com Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) para entender se há alguma decisão que permita o funcionamento do bar, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.

Por Raphael Thebas

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