O Sistema Integrado Metropolitano, conjunto de sete mananciais que abastece a Região Metropolitana de São Paulo, está operando com apenas 26,42% de sua capacidade total de armazenamento.
O índice, registrado neste domingo (28/12), representa o menor nível dos últimos dez dias e coincide com a onda de calor que atinge a região paulista.
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Os principais sistemas de abastecimento do Estado enfrentam situação crítica. O Cantareira e o Alto Tietê operam com volumes próximos a 20% de suas capacidades.
O Sistema Cantareira, maior produtor de água da região, utiliza 33 m³/s para abastecer 46% da população metropolitana.
A queda nos níveis dos reservatórios tem sido constante na última semana. Em 8 de dezembro, o Cantareira operava com 24,6% de sua capacidade, chegando a 27,3% após algumas precipitações. No entanto, o volume útil diminuiu progressivamente, atingindo 24,2% no dia 24.
Dois fatores principais explicam a redução nos níveis dos mananciais. O primeiro é a onda de calor que elevou as temperaturas na capital paulista a 36,2°C na sexta-feira (26/12), estabelecendo um recorde para dezembro. O segundo é o aumento no consumo de água, que cresceu até 60% em determinadas áreas da Região Metropolitana, segundo a Sabesp.
O cenário afeta diretamente os 21 milhões de habitantes da Grande São Paulo. Entre 14 e 20 de dezembro, a Sabesp produzia 66 mil litros de água por segundo. Na quarta-feira (24/12), esse volume aumentou para 72 mil litros por segundo, mesmo com uma redução estimada de 30% da população devido às viagens de fim de ano.
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Em outubro, o Sistema Cantareira já havia registrado o nível mais baixo dos últimos dez anos. Os modelos meteorológicos do governo estadual indicam que as chuvas em janeiro devem ficar abaixo da média.
Medidas de contingência estão em vigor desde agosto. A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) autoriza a Sabesp a realizar a gestão da demanda no período noturno de 10 horas, das 19h às 5h, com base em diagnósticos da SP Águas.
Obras estruturantes foram realizadas nos últimos anos para mitigar os riscos de uma nova crise hídrica. Entre as principais intervenções está a transposição Jaguari-Atibainha, que permite a transferência de água da bacia do Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira.
O Sistema São Lourenço foi outra obra concluída, captando água da represa Cachoeira do França, a 70 quilômetros da capital. Este sistema abastece aproximadamente 2 milhões de usuários em oito municípios.
O governo estadual afirma que a situação exige “atenção permanente”. A Sabesp informa que “mantém o sistema sob monitoramento contínuo, com reforço no bombeamento, direcionamento do abastecimento no período noturno e apoio de caminhões-pipa em áreas críticas”.
