As projeções para a economia brasileira em 2026 indicam um ano de desempenho considerado mediano. A avaliação parte da análise setorial e dos vetores que tendem a influenciar o crescimento ao longo do período. Não se trata da expectativa de um ano ruim, mas também não há a previsão de um cenário especialmente animador. O resultado projetado decorre de comportamentos distintos entre os principais setores da economia.
No agronegócio, a expectativa é de um desempenho melhor do que o observado em 2025. O setor teve papel relevante no crescimento econômico recente e foi um dos principais motores da atividade no ano anterior. Essa trajetória cria uma base mais favorável para 2026, ainda que o cenário geral seja de moderação. Além disso, há a possibilidade de que o agronegócio apresente resultados acima do que vem sendo inicialmente projetado, considerando dados que estão sendo acompanhados de perto.
O setor de serviços, por sua vez, tende a apresentar um comportamento semelhante ao de 2025. Um dos fatores centrais para essa estabilidade é o nível de desemprego. Os dados mais recentes apontam para a menor taxa da série histórica dos últimos 12 anos, com desemprego em torno de 5,2%. Trata-se de um patamar baixo, que sustenta a atividade no setor de serviços e contribui para a manutenção do consumo.
Em contraste, a indústria de transformação enfrenta um cenário mais desafiador. A manutenção de juros elevados afeta diretamente a demanda, levando a uma acomodação do consumo e dos investimentos. Esse contexto tende a impactar negativamente o desempenho industrial ao longo de 2026, resultando em um setor com dificuldades maiores em relação a outros segmentos da economia.
Dentro do conjunto industrial, no entanto, a indústria extrativa aparece como uma possível surpresa positiva. As estimativas indicam um crescimento superior a 10% da produção industrial nesse segmento, o que pode lhe conferir uma participação relevante no crescimento econômico do ano. Esse desempenho diferenciado contribui para equilibrar, em parte, os efeitos negativos observados em outros ramos da indústria.
Quando se observa o impacto agregado desses movimentos sobre o Produto Interno Bruto, a projeção inicial gira em torno de um crescimento entre 1,9% e 2%. Ainda assim, há a avaliação de que podem surgir surpresas ao longo do ano, capazes de elevar esse número. Essa possibilidade está associada principalmente a dois vetores considerados centrais para 2026.
O primeiro vetor diz respeito às eleições e à capacidade de investimento do setor público. Um estudo sobre a evolução dessa capacidade ao longo dos últimos dez anos mostra uma mudança significativa na composição dos investimentos governamentais. No passado, o governo federal concentrava entre 65% e 70% da capacidade de investimento, enquanto estados e municípios respondiam por cerca de 30%. Nos últimos anos, essa proporção se inverteu.
Atualmente, o governo federal detém aproximadamente 30% a 35% da capacidade de investimento, enquanto a maior parcela está concentrada nos estados e, sobretudo, nos municípios. Esse movimento está diretamente relacionado ao crescimento das emendas parlamentares, que ampliaram de forma expressiva os recursos disponíveis para os entes subnacionais.
Em 2026, esse fator ganha relevância adicional por se tratar de um ano eleitoral. Embora não haja eleições municipais, o pleito para governadores mobiliza alianças regionais que envolvem prefeitos e lideranças locais. Esse contexto tende a impulsionar a execução de investimentos públicos, aumentando a capacidade de estímulo à economia.
A avaliação é de que muitos economistas não consideram de forma suficiente o impacto da capacidade de investimento dos entes subnacionais em suas projeções. Esse elemento pode levar a um crescimento acima do patamar de 1,9% ou 2% inicialmente estimado, conferindo um viés de alta à economia brasileira em 2026.
O segundo vetor que pode contribuir para um desempenho superior é novamente o agronegócio. O setor apresentou resultados fortes em 2023 e 2025, e há indícios de que possa repetir ou até superar esse desempenho. A combinação entre maior capacidade de investimento em um ano eleitoral e uma possível surpresa positiva do agronegócio sustenta a avaliação de que a economia em 2026 pode crescer acima da média projetada por parte do mercado.
