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Petróleo, China e os interesses dos Estados Unidos sobre a Venezuela

Governo americano justifica ação como combate ao narcotráfico, enquanto analistas indicam interesse pelo petróleo e preocupação com avanço chinês na América Latina.

Forças militares dos Estados Unidos capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa após realizarem ataques a pontos estratégicos em Caracas. A operação ocorreu neste sábado (03/01) e foi oficialmente justificada pelo governo americano como uma ação de combate ao narcotráfico e a grupos criminosos ligados à Venezuela.

Especialistas consultados pelo G1 indicam que a operação tem motivações que vão além do combate ao tráfico de drogas, incluindo interesses pelo petróleo venezuelano e preocupações com a crescente influência chinesa na América Latina.

A ação militar aconteceu após um período de intensificação da pressão econômica sobre a Venezuela, com Washington aumentando operações no Caribe sob alegação de necessidade de combater rotas de drogas e garantir a segurança regional.

Qual a relevância da Venezuela?

A Venezuela possui a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com aproximadamente 303 bilhões de barris, conforme dados da Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos EUA. Este volume representa 17% das reservas conhecidas globalmente e supera países como Arábia Saudita, com 267 bilhões, e Irã, com 209 bilhões.

Grande parte do petróleo venezuelano é classificado como extra-pesado, necessitando tecnologia avançada para extração. Segundo a EIA, este tipo de petróleo “é bem adequado às refinarias norte-americanas, especialmente às localizadas ao longo da Costa do Golfo”.

Antes das sanções impostas em 2019, os Estados Unidos eram os principais importadores do petróleo venezuelano. Em 2023, a China recebeu 68% das exportações de petróleo bruto da Venezuela. O país asiático concedeu aproximadamente US$ 50 bilhões em empréstimos à Venezuela na última década, utilizando o petróleo como garantia.

O petróleo venezuelano e sua importância mundial

“O petróleo venezuelano seria uma estratégia de barateamento do preço do combustível para os americanos. É algo que está nas expectativas de Donald Trump”, diz Marcos Sorrilha, professor de história dos EUA na Unesp Franca.

Carolina Moehlecke, coordenadora do mestrado profissional em Relações Internacionais da FGV, afirma que “A Venezuela mantém uma relação cooperativa com a China em áreas muito críticas, como petróleo e mineração”.

O governo Trump havia anunciado planos de ampliar o foco na América Latina e reduzir compromissos em outras regiões do mundo, conforme estratégia de política externa publicada recentemente pela Casa Branca. Esta nova abordagem busca “retomar” a América Latina como região prioritária “para enfrentar ameaças urgentes”.

Segundo André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, Donald Trump demonstra intenção de “manter os laços muito bem atados” na América Latina. “A China tem exercido uma influência muito grande nos países latino-americanos, e os EUA não têm interesse nessa aproximação geopolítica chinesa. Então, existem questões estratégicas de toda ordem: geopolíticas, econômicas, geográficas”, explica.

Qual o interesse dos EUA na Venezuela?

Sorrilha acrescenta: “Então, há também interesse em expandir parcerias de empresas norte-americanas no mercado venezuelano, não apenas para a extração de commodities e produtos primários, mas também para a exploração de processos e produtos industriais dentro do país”.

Moehlecke ressalta que a nova estratégia americana resgata a Doutrina Monroe, criada em 1823, “ao estabelecer a América Latina como a região prioritária para sua segurança e prosperidade”. Ela complementa: “Além disso, amarra essa prioridade a evitar que a China, principalmente, tenha acesso a recursos estratégicos na região, alguns dos quais a Venezuela consegue fornecer”.

Segundo Sorrilha, historicamente, “esse objetivo era sustentado, quando necessário, pelo uso da força”.

O destino de Maduro após sua captura ainda não foi divulgado, assim como a possível resposta da China à intervenção americana em um país com o qual mantém fortes laços comerciais.

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