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Países da Celac divergem sobre captura de Maduro em operação dos EUA

Videoconferência com participação do chanceler brasileiro Mauro Vieira durou duas horas, mas não resultou em posicionamento conjunto sobre ação militar

Os 33 países membros da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) não chegaram a um acordo sobre um posicionamento conjunto a respeito da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

A videoconferência ocorreu neste domingo (4/12) e durou aproximadamente duas horas, contando com a participação do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.

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O encontro virtual, iniciado por volta das 14h no horário de Brasília, foi convocado para discutir os desdobramentos da operação militar americana realizada na madrugada de sábado (3/12) em território venezuelano. Apesar dos esforços diplomáticos, a reunião terminou sem uma declaração conjunta.

Mauro Vieira participou da videoconferência a partir do Palácio Itamaraty em Brasília. O chanceler brasileiro interrompeu seu período de férias, que iria até esta segunda-feira (5/12), para retornar à capital federal após tomar conhecimento da ação militar americana.

Antes da reunião da Celac, seis países – Brasil, México, Chile, Colômbia, Espanha e Uruguai – divulgaram um comunicado conjunto manifestando preocupação com “tentativas de controle governamental” após a operação militar americana.

No documento, os países afirmaram: “Expressamos nossa profunda preocupação e rechaço diante das ações militares executadas unilateralmente no território da Venezuela, as quais contrariam princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso e da ameaça do uso da força, o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas”.

A fronteira entre Brasil e Venezuela, que se estende por mais de 2 mil quilômetros, foi fechada pelo lado venezuelano na manhã de domingo, mas permanece aberta e com atividades regulares do lado brasileiro. Cerca de 100 turistas brasileiros conseguiram deixar a Venezuela ao longo do dia sem enfrentar dificuldades.

O presidente Lula, que está em recesso em uma base militar no Rio de Janeiro e deve retornar a Brasília nesta segunda-feira (5/12), coordenou remotamente uma reunião ministerial de emergência após o ocorrido. Em suas redes sociais, ele classificou a operação como um “precedente perigoso”.

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, declarou Lula.

O presidente brasileiro também afirmou que a ação militar abre espaço para um mundo de “violência, caos e instabilidade” e que “a ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”.

“A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, completou Lula.

Em entrevista, Trump afirmou que os Estados Unidos passarão a estar “fortemente envolvidos” com a indústria petroleira venezuelana. O presidente americano não detalhou como será essa participação, apenas mencionou que a China “continuará recebendo petróleo venezuelano”.

O Ministério da Justiça do Brasil informou que está se preparando para um possível aumento no fluxo de refugiados venezuelanos em direção ao território brasileiro. O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que “a situação na fronteira nunca esteve tão tranquila”, embora tenha ressaltado que o governo segue monitorando a região.

Durante as reuniões ministeriais realizadas no domingo, foi confirmado que não há brasileiros entre possíveis vítimas dos ataques americanos contra a Venezuela.

Leia mais: Edmundo González se declara presidente da Venezuela em vídeo; Exército apóia Delcy

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