O Flamengo anunciou na última segunda-feira (5/01) o encerramento da canoagem e do remo paralímpico. Isaquias Queiroz, dono de cinco medalhas olímpicas, foi um dos afetados pela decisão.
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Além do multicampeão olímpico Michel Pessanha, atleta do remo paralímpico, foi um dos dispensados e falou sobre a atitude tomada pela nova gestão do clube
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“Eu fico muito triste porque eu sou o primeiro remador paralímpico do Flamengo. Eu comecei a remar porque o Flamengo começou o projeto em 2013. Eu era mecânico e fui para a Gávea ser o primeiro remador representando o Clube de Regatas do Flamengo”, lamentou.
Ao tentar encontrar motivos para o fim da modalidade, Michel ressaltou que os atletas do remo paralímpico tinham bons resultados esportivos.
“A única coisa que eu sei é que as outras modalidades viram que o remo paralímpico deu resultado, é uma coisa que deu certo. Os maiores resultados, hoje, do remo são dos atletas paralímpicos. No departamento do Flamengo, só eu e a Diana (Barcelos) temos duas olimpíadas. Os maiores resultados em Copa do Mundo e mundiais. Infelizmente o Flamengo decidiu acabar com essa pasta”, afirmou.
Michel apontou que a situação da modalidade mudou dentro do clube desde que a nova gestão do clube assumiu o mandato, no começo de 2025. O remador alega que os atletas paralímpicos perderam suas vagas de estacionamento, tiveram os nomes retirados da lista do café da manhã e receberam o anúncio de que seus salários seriam reduzidos.
“A coisa veio acontecendo logo no começo do mandato do atual presidente. A gente parava o carro no departamento do remo, sempre foi assim, eu entrei em 2013 e sempre parei. Com essa nova gestão entrou um gerente que falou que ia usar o espaço e que era para tirar os carros dos ‘paralímpicos’. A gente como atleta só quer treinar, fazer o que sabe, tiramos os carros ‘de boa’. Depois começaram a tirar o nosso nome do café da manhã. Só dos atletas paralímpicos. A gente acabava de treinar, ia tomar o café com os outros atletas de alto rendimento e, às vezes, nosso nome não estava na lista. E assim foi com outras coisas. Falaram no decorrer desse ano de 2025 todo que ia reduzir o salário, que só poderia continuar no departamento se aceitasse essas condições de não receber mais nada”, contou Michel.
Para o atleta, o motivo do encerramento das atividades do remo paralímpico não foi financeiro.
Eu moro em Duque de Caxias, são 42Km do clube. Vi que o que o Flamengo me pagava como atleta não era muita coisa. Eu aceitei continuar no departamento mesmo sem os recursos, sem o salário, mas não era bem isso que o Flamengo tinha em mente, que a gente iria aceitar. Eles queriam acabar com a pasta, não foi só questão financeira.
Por fim, Michel Pessanha afirma que Luiz Eduardo Baptista e sua gestão “têm preconceito com a pessoa com deficiência“.
Pra mim é difícil. Sempre vi a vida de outra forma, não gosto de me fazer de vítima, de achar que isso é algum tipo de preconceito, mas é o que hoje eu tenho na mente, que o presidente e a nova gestão têm preconceito com a pessoa com deficiência”, diz Michel, que também mandou um recado para os torcedores Rubro-Negros.
Eu falo hoje diretamente para os torcedores do Flamengo, se você tem um filho ou alguém na sua família que é deficiente, o Flamengo te apoia, mas na sua casa, com outros projetos, não para fazer parte do Clube de Regatas do Flamengo.
