Sônia Fátima Moura, mãe da modelo Eliza Samudio, assassinada em 2010, questiona inconsistências relacionadas ao aparecimento do passaporte de sua filha em Portugal. O documento foi entregue ao Consulado brasileiro em Lisboa na sexta-feira (2/1) e será enviado ao Brasil, onde ficará disponível para a família.
O passaporte foi localizado em uma residência em Carcavelos, na região metropolitana de Lisboa. Após a descoberta, o Ministério das Relações Exteriores instruiu o Consulado-Geral em Lisboa a remeter o documento ao Brasil.
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O Itamaraty não divulgou informações sobre como o documento foi encontrado nem com quem estava. Pessoas ouvidas pelo “Público Brasil” afirmaram que Eliza entrou em Portugal em 1º de maio de 2007, conforme consta no passaporte, e teria solicitado autorização de retorno para o Brasil, válida até novembro daquele ano.
Nascida em 1985, Eliza Samudio, foi vítima de um crime ordenado pelo ex-goleiro Bruno, com quem manteve um relacionamento. Ela tinha um filho de quatro meses com o jogador quando desapareceu em junho de 2010. Na época, a modelo buscava o reconhecimento da paternidade e o pagamento de pensão para a criança.
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Em 2013, Bruno foi condenado por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver. A pena inicial de 22 anos foi posteriormente reduzida para 20 anos e 9 meses. O corpo de Eliza nunca foi encontrado.
Em publicação no Instagram, Sônia Moura expressou sua angústia.
“A história divulgada está cheia de lacunas, coincidências e pontos que não se encaixam. Não acredito que tudo tenha acontecido de forma aleatória. Há fatos mal explicados, perguntas sem respostas e uma condução que apenas amplia a angústia de quem já vive um luto permanente. Essas lacunas não são detalhes–elas pesam, machucam e gritam por esclarecimento”.
A mãe da modelo também compartilhou sua dor.
“Minha filha está morta. E essa é uma frase que nenhuma mãe deveria repetir todos os dias para si mesma. Ela carrega uma saudade que aperta o peito, que sufoca, que nunca descansa”.
Sobre seu posicionamento atual, Sônia declarou.
“Neste momento, escolho me manter em silêncio para tentar sobreviver à saudade, para tentar respirar em meio à dor e preservar o pouco de paz que ainda consigo reunir para mim e para minha família. Mas tenham certeza: vou exigir das autoridades todas as respostas que ainda não foram dadas. Essa é uma história marcada por muitas lacunas, e elas precisarão ser esclarecidas, porque minha filha merece respeito, verdade e justiça”.
Permanecem desconhecidas as circunstâncias exatas em que o documento foi encontrado em Portugal, o dia exato do retorno de Eliza ao Brasil e o motivo pelo qual ela solicitou a autorização de retorno.
