Donald Trump determinou a saída dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais, sendo 35 entidades independentes e 31 vinculadas à ONU. A decisão foi formalizada nessa quarta-feira (7) por meio de uma proclamação presidencial assinada na Casa Branca. O governo americano justificou a medida afirmando que estas instituições “operam contrariamente aos interesses nacionais dos EUA”.
A administração Trump focou principalmente em organizações dedicadas a questões climáticas, trabalhistas e iniciativas de diversidade. Muitas destas entidades foram classificadas pelo governo como “woke“, termo utilizado por setores conservadores para criticar instituições consideradas progressistas.
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Entre as organizações da ONU afetadas estão a Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima, a Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento e o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC).
A proclamação tem efeito imediato para todas as organizações listadas no documento oficial. A medida representa uma ruptura com administrações anteriores, tanto republicanas quanto democratas, que mantinham relações mais amplas com as Nações Unidas.
O impacto atinge diretamente o funcionamento da ONU e de diversas organizações não governamentais independentes. A organização internacional enfrenta agora a necessidade de implementar cortes de pessoal e programas. Várias ONGs já relataram o encerramento de projetos após Trump encerrar as atividades da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional no ano passado.
Na lista divulgada pela Casa Branca constam organizações como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, a Agência Internacional de Energia Renovável, a União Internacional para a Conservação da Natureza, o Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Eleitoral, e a Comissão para Cooperação Ambiental.
Daniel Forti, analista sênior da ONU no International Crisis Group, avaliou a situação: “Acho que o que estamos vendo é a cristalização da abordagem dos EUA ao multilateralismo, que é ‘ou do meu jeito ou nada feito’. É uma visão muito clara de querer cooperação internacional nos termos de Washington.”
Histórico de afastamento
Esta não é a primeira vez que Trump adota uma postura de afastamento de organismos internacionais. Durante seu primeiro mandato (2017-2021), ele já havia suspendido o apoio a instituições como o Conselho de Direitos Humanos da ONU e a UNESCO.
Em julho de 2020, em plena pandemia, Trump retirou os EUA da Organização Mundial da Saúde, que coordenava esforços globais contra a Covid-19 e o desenvolvimento de vacinas. Na época, ele afirmou que a organização foi “pressionada” pela China para fornecer “direcionamentos errados” sobre o novo coronavírus. “O mundo está sofrendo agora como resultado dos malfeitos do governo chinês”, declarou em maio daquele ano.
A Casa Branca não divulgou detalhes sobre como será o processo de desligamento de cada uma das organizações nem os prazos para a efetivação completa das saídas.
Outras organizações afetadas
A lista completa divulgada pela Casa Branca inclui também o Compacto de Energia Livre de Carbono 24/7, o Conselho do Plano Colombo, o Instituto Interamericano de Pesquisa sobre Mudanças Globais, o Fórum Global de Contraterrorismo, a Aliança Solar Internacional, o Centro de Ciência e Tecnologia na Ucrânia e a Comissão de Veneza do Conselho da Europa, entre outras.
