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Filósofo e autor de renome, Pondé provoca reflexões profundas sobre o comportamento humano, ética e sociedade. Em sua coluna "Sem Dó", ele disseca as contradições do mundo contemporâneo com sua ironia característica.

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Geopolítica atual retoma lógica do século XIX, aponta analogia histórica sobre EUA e China

A geopolítica contemporânea tem sido apresentada por diferentes analistas como um retorno a padrões históricos baseados na hierarquia de poder e na força. Exemplos recentes citados incluem a atuação dos Estados Unidos sob Donald Trump e a política externa da Rússia desde pelo menos 2014, quando o país anexou a Crimeia, além de ações anteriores, […]

Por Luiz Felipe Pondé | Atualizado em
(Foto: Jonathan Ernst/Reuters)

A geopolítica contemporânea tem sido apresentada por diferentes analistas como um retorno a padrões históricos baseados na hierarquia de poder e na força. Exemplos recentes citados incluem a atuação dos Estados Unidos sob Donald Trump e a política externa da Rússia desde pelo menos 2014, quando o país anexou a Crimeia, além de ações anteriores, como a intervenção na Geórgia.

Uma analogia recorrente utilizada pelo historiador escocês Niall Ferguson, professor da Universidade de Stanford, associa o atual cenário internacional ao período do final do século XIX e início do século XX, contexto que antecedeu a Primeira Guerra Mundial. Segundo essa leitura, o Império Britânico daquele período poderia ser comparado aos Estados Unidos hoje: uma potência dominante, economicamente forte, mas atravessada por controvérsias internas, inseguranças e questionamentos sobre seu papel global.

Nesse mesmo paralelo histórico, a Alemanha do Kaiser, então em processo de industrialização acelerada e buscando maior participação no sistema colonial e econômico, ocuparia posição semelhante à da China contemporânea, descrita como uma potência emergente que disputa espaço com os Estados Unidos. A analogia se completa com a comparação entre o antigo Império Austro-Húngaro e a atual comunidade europeia, caracterizada como uma estrutura burocrática, multiétnica e multilíngue, marcada por dificuldades internas e perda de capacidade de ação geopolítica.

A partir dessas comparações, Ferguson sustenta que, apesar das transformações tecnológicas e institucionais, a geopolítica continua sendo, em última instância, política nacional orientada pela força. Mesmo após a Segunda Guerra Mundial e durante a Guerra Fria, essa lógica teria permanecido, como demonstram ações recentes da Rússia em sua área de influência.

No debate sobre o governo Trump, surge a comparação com conceitos históricos como o de “espaço vital”, utilizado pela Alemanha nazista no século XX. O discurso de segurança nacional e de defesa dos interesses estratégicos dos Estados Unidos é apontado como semelhante, nesse aspecto, à ideia de expansão territorial. Ao mesmo tempo, são destacadas diferenças estruturais, como a inexistência de um discurso de extermínio racial e a permanência de instituições democráticas nos Estados Unidos, com eleições regulares e possibilidade de alternância de poder.

Ainda assim, o avanço sobre áreas geográficas estratégicas e a pressão sobre outros países são descritos como sinais de uma retomada de práticas geopolíticas associadas ao período que antecedeu os grandes conflitos do século XX.

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