O Itamaraty encerrou a custódia da Embaixada da Argentina na Venezuela, função que o Brasil exercia desde agosto de 2024. A decisão foi comunicada nesta sexta-feira (9) ao governo argentino e à presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez. A Itália assumirá a representação diplomática argentina em Caracas a pedido do presidente Javier Milei.
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A medida ocorre em meio a divergências entre os governos Lula e Milei sobre a situação venezuelana, especialmente após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro na semana passada. Enquanto o Brasil condenou a ação americana, o presidente argentino manifestou apoio à operação ordenada pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Segundo o jornal argentino La Nación, um dos motivos que teria levado o Brasil a encerrar a custódia foi uma postagem de Milei nas redes sociais. No vídeo, o presidente argentino aparece elogiando as ações militares dos EUA na Venezuela, intercalando suas falas com imagens do presidente Lula. De acordo com o periódico, “o que causou a ira brasileira foi que o post terminava com uma imagem de Lula e Maduro abraçados”.
A custódia brasileira começou em 2024, quando Maduro expulsou os diplomatas argentinos do país caribenho. Durante esse período, o Brasil atuou na proteção de seis opositores venezuelanos colaboradores de María Corina Machado que estavam abrigados na representação diplomática.
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Esses opositores – Magalli Meda, Claudia Macero, Pedro Urruchurtu, Omar González e Humberto Villalobos – participaram da campanha presidencial de Edmundo González Urritia, que disputou as eleições de 2024 contra Maduro. Eles conseguiram deixar a Venezuela com destino aos EUA em maio de 2025, graças às negociações conduzidas pela diplomacia brasileira.
Fontes do Itamaraty afirmam que a avaliação da diplomacia brasileira foi de que o país já havia cumprido sua missão e que, na atual conjuntura venezuelana, outros países poderiam representar os interesses da delegação argentina.
