O Ministério dos Direitos Humanos concedeu status de anistiados políticos a Ivo e André Herzog, filhos do jornalista Vladimir Herzog, assassinado durante a ditadura militar. A ministra Macaé Evaristo assinou as portarias na sexta-feira (9), conforme informado pela pasta no sábado (10). Os documentos serão publicados no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (12).
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A decisão ocorre aproximadamente um ano após o próprio Vladimir Herzog ter recebido reconhecimento semelhante. Em março de 2025, o jornalista foi declarado anistiado político pelo governo brasileiro, 50 anos depois de sua morte sob custódia de agentes do Estado.
Herzog dirigia o departamento de jornalismo da TV Cultura quando foi convocado para prestar depoimento no DOI-Codi, órgão de repressão do regime militar em São Paulo. Ele foi detido para responder sobre supostas ligações com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), que atuava na ilegalidade durante o período ditatorial.
Após sua detenção, o jornalista foi torturado e morto nas dependências do DOI-Codi. Embora as autoridades da época tenham divulgado a versão de suicídio, essa narrativa foi posteriormente refutada. Em 1978, a Justiça responsabilizou a União pelo crime.
Nascido na Croácia em 1937, Vladimir Herzog emigrou para o Brasil em 1942, onde se naturalizou. Sua carreira no jornalismo teve início em 1959, desenvolvendo-se até assumir a direção de jornalismo da TV Cultura, cargo que ocupava quando foi assassinado em 1975.
As portarias que oficializam a anistia política dos filhos de Herzog serão formalmente publicadas no início desta semana, consolidando o reconhecimento do Estado brasileiro às vítimas indiretas da repressão política durante o regime militar.
