A decisão do governo de Donald Trump de impor tarifas de 25% sobre todos os parceiros comerciais do Irã tem como objetivo “isolar ainda mais o regime de Teerã”, afirmou o jornalista Jamil Chade durante o programa TMC 360. Segundo ele, o país já sofre diversas sanções financeiras e comerciais impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia, mas ainda mantém relações econômicas relevantes com países em desenvolvimento.
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“O Irã já é alvo de muitas sanções financeiras e comerciais por parte dos Estados Unidos e da União Europeia. Mas, claro, mantém uma rede comercial, principalmente com os países em desenvolvimento”, disse.
De acordo com Chade, a nova medida coloca essas nações diante de uma escolha difícil. “Com essa medida, esses países ficam numa espécie de encruzilhada: ou mantêm a relação com o Irã, ou mantêm a competitividade dos seus produtos nos Estados Unidos”, afirmou.
No caso do Brasil, o impacto pode ser direto. “Isso pode afetar diretamente a relação mais uma vez entre Brasil e Estados Unidos”, explicou o jornalista, ao lembrar que o país exporta regularmente produtos agrícolas para o mercado iraniano.
O comércio entre Brasil e Irã gira em torno de 3 bilhões de dólares por ano, com ampla vantagem para o lado brasileiro. “Só nas cotações de milho, por exemplo, o Brasil vendeu, em 2025, 2 bilhões de dólares”, destacou. Para Chade, trata-se de “uma medida que, se aplicada, terá um impacto sim direto no Brasil”.
Apesar disso, o principal alvo da iniciativa norte-americana seria a China. “O grande afetado seria a China. Ela é, hoje, o destino de 80% do petróleo iraniano”, afirmou. Para Jamil, uma eventual aplicação das tarifas a Pequim tornaria o país “talvez o grande afetado por essa medida de Donald Trump”.
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A reação chinesa já começou. “Pequim já reagiu dizendo que vai salvaguardar, vai proteger os seus interesses diante da medida americana”, relatou Chade. Segundo ele, a mensagem dos chineses foi clara: “Minha relação com o Irã é um assunto bilateral e não vou, obviamente, ter qualquer tipo de restrição”.
Por fim, o jornalista ressaltou que ainda há incertezas sobre os próximos passos. “Resta saber se a China também vai retaliar os Estados Unidos, caso essa aplicação de tarifas envolva produtos chineses”, concluiu, ao afirmar que a crise iraniana passa a ganhar “uma proporção global geopolítica”, com os Estados Unidos intensificando a pressão sobre Teerã.
