A Justiça Superior de Quebec, no Canadá, autorizou nesta terça-feira (13/12) o prosseguimento de uma ação coletiva contra a Ticketmaster que questiona a legalidade das taxas de serviço cobradas pela empresa. A juíza Eleni Yiannakis permitiu que o caso, apresentado pelo escritório Paquette Gadler Inc. em nome do advogado de imigração Felipe Morales, avance para julgamento.
A ação, iniciada em agosto de 2024, alega que as taxas da Ticketmaster violam o Código Civil e a Lei de Proteção ao Consumidor de Quebec. O processo questiona especificamente a estrutura de preços que varia conforme o valor dos ingressos, em vez de refletir o custo real dos serviços prestados.
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O escritório de advocacia caracterizou este modelo de precificação como “excessiva, irrazoável, abusiva e desproporcional“.
Morales teve problemas ao tentar comprar ingressos para um show de Bruce Springsteen em 2022. Conforme documentos judiciais, o sistema da Ticketmaster impediu que ele concluísse a compra inicial de quatro lugares na pista por $225 cada.
“Quando o requerente tentou finalizar a compra, este recebeu uma mensagem que dizia que ‘a transação não pôde ser finalizada”, afirma o processo. Quando Morales retornou ao site minutos depois, os lugares originalmente selecionados não estavam mais disponíveis.
Após a falha na transação inicial, Morales acabou pagando $1.000 por ingresso para assentos diferentes, além de $599 adicionais em taxas, o que representou aproximadamente 15% do valor total de $4.000. Os ingressos adquiridos, embora ainda para a pista, estavam localizados muito atrás, enquanto os originais eram VIP, disponíveis para membros do fã-clube de Springsteen e situados próximos ao palco.
A ação coletiva busca representar outros consumidores que compraram ingressos através das entidades canadenses da Ticketmaster desde 26 de julho de 2021. O processo tem como alvo quatro entidades: Ticketmaster Canada LP, Ticketmaster Canada ULC, Ticketmaster Canada Holdings ULC e a americana Ticketmaster LLC, todas pertencentes à Live Nation Entertainment.
O processo afirma: “É razoável inferir que a Main Class [Classe Principal] e a Consumer Class [Classe Consumidor] são compostas por milhares de pessoas, e que o requerente certamente não é o único a ter sofrido danos causados por culpa da requerida neste sentido”.
A ação acrescenta: “Fica claro que a maneira – global e regional – na qual procede a Live Nation e suas subsidiárias, inclusive as requeridas, é monopolista e apenas reforça a necessidade de formas para garantir que as requeridas cumpram com suas obrigações legais”.
Um porta-voz da Ticketmaster declarou à Billboard Canada que as taxas de ingressos são “divididos entre o local do evento e a Ticketmaster para cobrir os custos essenciais de apoio ao show, desde funcionários para o local até o financiamento de tecnologia anti-fraude e processamento de pagamentos”.
O representante acrescentou: “A parcela de taxas de serviço da Ticketmaster tipicamente gira em torno de 5 a 7% do preço total do ingresso. Acreditamos que a abordagem mais justa e transparente é mostrar para os fãs qual é o custo total logo de cara, e o temos feito no Canadá desde 2018. Estas taxas são escalonadas de acordo com o preço dos ingressos para poder manter acessíveis os ingressos de menor custo dentro do possível”.
Ticketmaster enfrenta múltiplos processos nos EUA
Além do caso canadense, a Ticketmaster enfrenta diversos processos judiciais nos Estados Unidos. Em 5 de janeiro de 2026, Jeffrey Scruggs, morador do Condado de Solano, na Califórnia, entrou com uma ação contra a empresa, alegando que ela utiliza ferramentas de vigilância não autorizadas que violam as leis de privacidade do estado.
Segundo a denúncia, a Ticketmaster emprega rastreadores de publicidade e análise de diversas empresas de tecnologia, como Google, Facebook, TikTok, Microsoft Bing, Pinterest, Snap e Comscore, para “coletar, receber e processar” dados dos usuários, incluindo endereços IP, URLs de páginas, registros de tempo e características de dispositivos ou navegadores.
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Em 30 de dezembro de 2025, a Fanimal, uma empresa de venda de ingressos agora extinta com sede em Santa Monica, Califórnia, processou a Ticketmaster e a Live Nation por supostas táticas anticompetitivas que a levaram à falência.
Em 6 de janeiro de 2026, a Ticketmaster e a Live Nation solicitaram a um juiz federal que rejeitasse o processo movido pela Comissão Federal de Comércio dos EUA sobre revendas de ingressos. O Departamento de Justiça dos EUA também processou as empresas em 2024, buscando separá-las após a fusão ocorrida em 2010. Um juiz federal negou o pedido da Live Nation para arquivar duas partes importantes desse processo em março de 2025, e a empresa apresentou uma moção solicitando um rápido encerramento do caso em novembro.
