O que o torcedor do Santos mais deseja é que o clube se torne uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol). Para muitos esse é o único caminho para o time de futebol retomar o protagonismo nos cenários nacional e internacional.
O desejo do torcedor é o mesmo de algumas pessoas influentes no Peixe, mas transformar isso em realidade requer paciência e a ruptura de muitas camadas.
Desde que assumiu a presidência, a gestão Marcelo Teixeira colocou como prioridade a mudança do estatuto social.
A principal alteração é a implementação da Sociedade Anônima do Futebol em um modelo que o mercado pede e pratica.
Atualmente, o estatuto do Santos permite que o clube ‘venda’ 49% das ações se uma SAF. Ou seja, o Santos permaneceria no controle das principais decisões envolvendo o futebol e áreas administrativas da empresa constituída.
O ‘Novo Modelo’ proposto na alteração estatutária atende ao mercado e atrai interessados de todos os cantos do mundo. Estamos falando da venda de até 90% da SAF!
Até uma avaliação sobre o valor de mercado do Santos foi realizada. E chegou-se às cifras de mais de R$ 2 bilhões! A XP Investimentos, especialista no assunto, realizou essa pesquisa.
O colunista Lauro Jardim publicou que o Santos recebeu uma proposta de R$ 1 bilhão para vender 90% de uma futura SAF. E isso deixou o torcedor enlouquecido nas redes sociais e plataformas digitais.
Mas o caminho é mais longo que todos imaginam. E esta coluna vai explicar.
Antes é interessante traçarmos o perfil da proposta colombiana que teria chegado às mãos dos dirigentes do Peixe.
Recentemente, o clube teria sido procurado por uma das famílias mais ricas da Colômbia, a Santo Domingo.
Esta coluna pesquisou sobre os bilionários colombianos.
A família é a principal acionista da AB Inbev. A maior cervejaria do mundo tem sede na Bélgica e controla as principais marcas mundiais e brasileiras.
Para se ter uma ideia, a fortuna da família Santo Domingo está estimada em 10,9 bilhões de dólares (cerca de R$ 58,6 bilhões).
A origem da fortuna da família Santo Domingo, suposta interessada na compra do Santos, vem da cervejaria Bavaria, que hoje integra a AB InBev. Além de uma grande fatia da maior cervejaria do mundo, a família é dona do DE Peet’s, Keurig Dr. Pepper e Kraft Heinz.
Além disso, atua no mercado de varejo com uma grande rede de supermercado.
Alejandro Santo Domingo é quem lidera os negócios da família. Atualmente ele é presidente do Grupo Valorem, e tem uma fortuna pessoal avaliada em 1,7 bilhão de dólares (cerca de R$ 9,1 bilhões na cotação atual)
É para se animar, não é mesmo? Mas o processo para o Santos aceitar, negociar e evoluir tem muitos obstáculos.
Primeiro, o novo Estatuto sequer foi aprovado pelo Conselho Deliberativo do clube.
Ele já foi apresentado, mas não levado a votação. E aí chega o primeiro entrave: ano eleitoral e votação em bloco, e não item a item.
A política no Santos ferve. Se o campo responder bem, os bastidores e articulações políticas vão melhor ainda.
Se o campo não agradar, nada passa! Sempre foi assim!
Não há previsão de votação para aprovação do novo Estatuto no CD.
Se aprovado, ainda teremos mais algumas ações burocráticas estatutárias. Assembleia Geral de Sócios para homologar ou não a decisão de alteração do estatuto.
Vamos supor que ele seja aprovado nestas etapas. OK, mas ainda não podemos ter SAF no Santos.
A partir do momento que o clube pratica suas ações no novo documento, existem novas travas até a transformação de associação desportiva em SAF.
O ‘rito’ é: a diretoria executiva (presidência) recebe a proposta e repassa ao Conselho Deliberativo, que aprecia e, só então, aprova ou vota.
Se aprovar, ela volta para a diretoria, que inicia as tratativas para a transformação e venda da SAF. Depois dessa etapa, as informações e modelo de negócio voltam ao Conselho e, posteriormente, passam para Asembleia Geral de Sócios para homologação.
Se o conselho reprovar, a proposta é automaticamente recusada e descartada.
Que complexo, não? O processo é longo, exaustivo, com muitas camadas, envolve política, situação do time em campo e alteração imediata do Estatuto.
Falaram a está coluna que a SAF Santos só seria possível a partir de 2028. Que interessados sempre existem. Que a proposta dos colombianos não é a melhor, mas que a mudança de postura, pensamento e atitude de todos no clube vai determinar se o Santos se manterá provinciano, ou vai evoluir com o futebol profissional de verdade!
Eu sempre gosto de aguardar e conferir!
