O Ministério das Relações Exteriores do Brasil expressou preocupação com a violência nas manifestações populares no Irã. O comunicado oficial foi divulgado nesta terça-feira (13/1), após dados da agência Reuters apontarem cerca de 2 mil mortes durante a repressão aos protestos que ocorrem no país desde dezembro.
“O governo brasileiro acompanha, com preocupação, a evolução das manifestações que ocorrem, desde o dia 28 de dezembro, em diversas localidades do Irã”, destaca a nota.
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Na nota, o Itamaraty destacou que o futuro político iraniano deve ser determinado exclusivamente pelos cidadãos daquele país e confirmou que, até o momento, não há brasileiros mortos ou feridos nos protestos.
“O Brasil lamenta as mortes e transmite condolências às famílias afetadas. Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo”, declarou o Ministério em seu comunicado oficial.
“O Itamaraty, por meio da Embaixada do Brasil em Teerã, se mantém atento às necessidades da comunidade brasileira no Irã”, concluiu a nota.
Entenda os protestos no Irã
Inicialmente, as manifestações surgiram nos bazares de Teerã contra a inflação desenfreada e a deterioração econômica no país, mas rapidamente se espalharam pelo país e se transformaram em protestos mais amplos contra o regime.
As preocupações com a inflação atingiram o auge na semana passada, quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns produtos desaparecendo completamente das prateleiras.
A situação foi agravada pela decisão do banco central iraniano de encerrar um programa que permitia a alguns importadores acessar dólares americanos mais baratos em comparação ao restante do mercado. A medida levou lojistas a aumentarem os preços e alguns a fecharem suas portas, iniciando os protestos. A decisão dos bazaaris, como são conhecidos, é uma medida drástica para um grupo tradicionalmente alinhado à República Islâmica.
A resposta violenta das autoridades iranianas provocou uma mudança nas reivindicações dos manifestantes, que passaram a exigir o fim do regime dos aiatolás, no poder desde 1979. O governo liderado por reformistas tentou aliviar a pressão ao oferecer transferências diretas de quase US$ 7 por mês, mas a medida não conseguiu conter a insatisfação.
Os protestos acontecem em território iraniano, onde a repressão governamental resultou em cerca de 2 mil mortes segundo a agência de notícias Reuters.
As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas, deixando o Irã praticamente isolado do mundo exterior.
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