A escolha de Wellington César Lima e Silva para o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública sinaliza como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende conduzir a agenda de segurança pública em ano eleitoral: com foco institucional, articulação entre órgãos e reforço do papel jurídico do Estado, sem mudanças estruturais imediatas na Esplanada. A menos que uma surpreendente mudança de planos altere o cenário, o petista concorrerá à reeleição em 2026.
Ao substituir Ricardo Lewandowski, que deixou o cargo por motivos pessoais, Lula optou por um nome de confiança, com trajetória próxima ao Palácio do Planalto e experiência no sistema de Justiça. Wellington é o terceiro ministro da Justiça neste mandato — antes dele, a pasta foi chefiada por Flávio Dino — e reúne passagens pelo Ministério Público, pela administração federal e por governos petistas.
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A escolha indica a prioridade do presidente por um perfil técnico e jurídico, capaz de coordenar políticas de segurança pública em diálogo com estados e outros Poderes, em vez de apostar em soluções de apelo político ou em uma reestruturação administrativa ampla. Lula descartou, por ora, o desmembramento do ministério para criar uma pasta exclusiva da Segurança Pública, avaliando que a medida não traria resultados concretos sem um arcabouço legal definido e garantia de recursos.
Nesse contexto, a indicação de Wellington reforça a estratégia de fortalecer mecanismos de cooperação institucional. Durante sua gestão como procurador-geral de Justiça da Bahia, ele criou o Comitê Interinstitucional de Segurança Pública, voltado à integração entre diferentes órgãos do sistema de justiça criminal, com foco no combate ao crime organizado. Essa experiência é vista no Planalto como alinhada à visão do presidente de enfrentar a violência por meio de coordenação federativa e políticas estruturadas.
Aliados do governo afirmam que, embora o novo ministro não se oponha à criação futura de um Ministério da Segurança Pública, a prioridade será avançar em medidas legais, como a PEC da Segurança, antes de qualquer mudança na estrutura ministerial. A avaliação é de que a segurança pública é uma pauta sensível eleitoralmente, mas cuja execução depende, sobretudo, dos estados, responsáveis pelas polícias Civil e Militar.
Assim, a troca no Ministério da Justiça aponta para uma condução mais cautelosa e institucional da segurança pública, baseada no direito, na articulação entre entes federativos e na consolidação de instrumentos legais, evitando decisões que ampliem a exposição política do governo federal sobre um tema de alta complexidade.
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