Erfan Soltani, manifestante de 26 anos que trabalha na indústria de vestuário, será enforcado nesta quarta-feira (14/01) no Irã.
A execução ocorre apenas seis dias após sua prisão, realizada na quinta-feira (8/01) em sua residência no distrito de Fardis, na cidade de Karaj. Ele foi condenado por “ódio contra Deus” devido à participação em protestos contra o regime dos aiatolás.
Acesse o canal da TMC no WhatApp para ficar sempre informado das últimas notícias
A família de Soltani permaneceu sem informações sobre seu paradeiro durante três dias. No domingo (11/01), agentes de segurança finalmente confirmaram sua detenção e comunicaram que ele já havia recebido sentença de morte. Os familiares puderam visitá-lo por apenas 10 minutos.
O jovem, que havia recentemente ingressado em uma empresa privada do setor têxtil, foi detido por autoridades iranianas após participar de manifestações populares. Segundo o portal IranWire, Soltani já estava sob vigilância das forças de segurança antes de sua captura.
“Erfan havia recebido mensagens ameaçadoras de fontes de segurança antes de sua prisão, mas manteve-se firme nos protestos. Ele disse à família que estava sendo vigiado, mas se recusou a recuar”, revelou uma fonte ao portal IranWire.
Os familiares de Soltani enfrentam intensa intimidação por parte das autoridades. Uma pessoa próxima à família relatou ao IranWire, sob condição de anonimato, a situação extrema que enfrentam.
“A família está sob extrema pressão. Até mesmo um parente próximo, que é advogado, tentou assumir o caso, mas foi impedido e ameaçado por agentes de segurança. Disseram a ele: ‘Não há processo para analisar. Anunciamos que qualquer pessoa presa nos protestos será executada'”, declarou a fonte.
As manifestações que motivaram a prisão de Soltani ocorrem há aproximadamente um mês no país. Os protestos surgiram em resposta à grave crise econômica e à forte desvalorização da moeda local, o rial.
Um representante do governo iraniano informou à agência Reuters na terça-feira (13/01) que a repressão aos protestos já resultou em cerca de 2 mil mortes em todo o país.
De acordo com a organização humanitária curdo-iraniana Hengaw, as autoridades comunicaram à família de Soltani que a sentença é definitiva, sem possibilidade de recurso.
Nas redes sociais, principalmente no Instagram, Soltani aparece como um jovem interessado em musculação e esportes, levando uma vida sem ostentações, conforme relatado por pessoas próximas ao portal IranWire.
Leia mais: Trump ameaça Irã com “medidas fortes” caso manifestantes sejam executados
