A deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero é uma resposta do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), às críticas que vem recebendo nas últimas semanas, afirmou a colunista Daniela Lima, da TMC, nesta quarta-feira (14/01).
“A decisão, a ser feita pública, é uma sinalização do ministro Dias Toffoli está querendo responder a uma série de críticas que vem enfrentando desde o início, quando decretou o sigilo máximo sobre a investigação, que hoje é tratada como a maior da Polícia Federal. Toffoli vai dizer publicamente por que entende que a investigação tem que ser sigilosa”, afirmou a jornalista.
Siga a TMC no WhatsApp e fique por dentro das últimas notícias do Brasil e no mundo
Toffoli deve tornar pública a decisão judicial, que permitiu a deflagração da operação, no início da tarde desta quarta. O ministro assumiu o caso desde que apareceu a citação a um deputado federal na investigação.
“De lá para cá, ele tomou posse do Caso Master e disse que toda e qualquer ação do caso para obrigatoriamente por ele. Vai devolver o caso para a justiça federal? A resposta é não”, enfatizou Daniela Lima. “O caso Master está arrastando muitas instituições, incluindo o próprio STF, para o centro de um debate muito incômodo.”
A colunista citou os principais motivos que levaram as críticas ao ministro do STF.
“O roteirista do Brasil é um cara tão debochado… Quando a defesa de Vorcaro entra com ação no STF, citando o deputado federal (para poder levar o caso para o STF), o ministro Dias Toffoli estava entrando num avião para acompanhar o time dele, o Palmeiras, em Buenos Aires (para a final da Copa Libertadores)”, recordou a jornalista.
“No mesmo voo, convidado por um empresário do qual Toffoli é muito amigo, tinha um advogado. Só tem figurão peso pesado na defesa do Master. São cinco deles, incluindo o Pierpaolo Bottini, o cara que fez o acordo da Andrade Gutierrez com a Lava-Jato. Ele representava sozinho uma empreiteira e o Vorcaro tem cinco do tamanho dele para fazer a sua defesa no STF.”
O voo rumo à capital argentina incluía outro advogado relevante no mundo jurídico. “O diretor de Compliance do Master, que também foi preso, contratou um outro figurão, Augusto de Arruda Botelho, que teve cargo no Ministério da Justiça e é dono de uma das bancas criminais mais conhecidas do Brasil. E ele se soma à equipe de Vorcaro no Supremo. Ele também estava indo acompanhar o jogo do Palmeiras no mesmo avião. E é neste momento, em que o avião estava a caminho da Argentina, que o algoritmo do STF decide que seria o Toffoli que ficaria com o caso, por sorteio eletrônico. A partir daí, foi só pancada (ao Toffoli).”
Leia mais: Banco Master: PF faz novas buscas em endereços ligados a Vorcaro e bloqueia R$ 5,7 bi
