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PF questiona no STF regra para lacração de bens da operação Compliance Zero

Diretor-geral alerta para risco de perda de dados em equipamentos eletrônicos apreendidos; decisão foi do ministro Dias Toffoli

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pediu ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconsidere a decisão de determinar que bens apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero sejam lacrados e armazenados na sede da Corte. Segundo a PF, a medida pode causar prejuízos irreparáveis à investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o banco Master.

Na manifestação enviada ao ministro, Rodrigues argumentou que o acesso imediato aos materiais apreendidos, especialmente equipamentos eletrônicos como celulares, é essencial para a análise e extração de dados. De acordo com a PF, a demora pode levar à perda de informações ou à ativação de novas camadas de bloqueio que dificultem ou até impeçam a recuperação de mensagens e arquivos. Até o momento, não há informação de resposta de Toffoli ao pedido.

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A segunda fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada nesta quarta-feira (14), com o cumprimento de cerca de 40 mandados de busca e apreensão em endereços de pessoas suspeitas de envolvimento no esquema, incluindo o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, e parentes dele. A ação foi autorizada por Toffoli, relator do caso no STF.

Na decisão, assinada no dia 12 de janeiro, o ministro determinou que os mandados fossem cumpridos em até 24 horas e que todos os bens, documentos e materiais apreendidos fossem lacrados e encaminhados para armazenamento no Supremo. Toffoli citou demora e falta de empenho da Polícia Federal no cumprimento das ordens judiciais.

Em resposta, Andrei Rodrigues afirmou que não houve intenção de descumprir a decisão e que dificuldades operacionais impediram o cumprimento do prazo. Entre os fatores apontados estão a necessidade de confirmar endereços dos alvos, o período de férias e a existência de outras operações já programadas para o mesmo dia, como uma fase da Operação Overclean.

Durante a operação, a PF apreendeu carros importados, relógios de luxo, dinheiro em espécie e outros bens de valor. Segundo a corporação, foram encontrados R$ 97,3 mil em dinheiro vivo até a última atualização. Também houve o sequestro e bloqueio de bens e valores que, de acordo com a PF, podem ultrapassar R$ 5,7 bilhões.

Leia mais: Daniela Lima: “Operação da PF é resposta pública de Toffoli à enxurrada de críticas”

A investigação aponta suspeitas de captação irregular de recursos, aplicação em fundos e desvio de dinheiro para o patrimônio pessoal de Vorcaro e familiares. Mandados foram cumpridos em São Paulo e nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Em nota, o gabinete de Dias Toffoli afirmou que o acautelamento imediato dos itens tem como objetivo preservar as provas recolhidas, que serão posteriormente periciadas pelas autoridades competentes.

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