A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) publicou uma relação de instituições religiosas e líderes evangélicos que tiveram pedidos de quebra de sigilo ou convocação aprovados pela CPMI do INSS. A divulgação ocorreu nesta quarta-feira (14) em sua conta no Instagram, em resposta direta ao pastor Silas Malafaia, que havia anunciado um “desafio” público questionando declarações da parlamentar sobre o envolvimento de entidades evangélicas em esquemas de fraude previdenciária.
A lista foi apresentada após Malafaia criticar afirmações feitas pela senadora durante entrevista ao SBT News no domingo anterior. Na ocasião, Damares mencionou que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito havia identificado o envolvimento de “grandes igrejas” e “grandes pastores” em irregularidades relacionadas ao sistema previdenciário.
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O pastor considerou que as declarações da senadora generalizavam acusações contra igrejas evangélicas sem apresentar evidências específicas. Malafaia utilizou suas redes sociais para criticar o que classificou como afirmações “infundadas” que prejudicariam a imagem de “líderes renomados” do meio evangélico.
Em sua nota de esclarecimento, Damares destacou que foi a autora do requerimento que originou a criação da CPMI do INSS, instalada em 2025, e que participa como membro titular desde o início dos trabalhos.
“As informações mencionadas são públicas e constam em requerimentos apresentados e aprovados pela Comissão, amplamente divulgados e acessíveis à sociedade”, escreveu a senadora.
Entre os requerimentos listados por Damares estão pedidos de transferência de sigilo da Adoração Church, da Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo, do Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch) e da Igreja Evangélica Campo de Anatote. Os documentos foram elaborados com base em indícios identificados em Relatórios de Inteligência Financeira e dados da Receita Federal.
A lista divulgada pela parlamentar também inclui requerimentos para convocação ou convite de líderes religiosos como André Machado Valadão, César Bellucci do Nascimento, Péricles Albino Gonçalves, Fabiano Campos Zettel e André Fernandes. Há ainda pedidos específicos de quebra de sigilo envolvendo Valadão.
A CPMI do INSS foi estabelecida para investigar um esquema nacional de descontos e empréstimos consignados irregulares aplicados contra aposentados e pensionistas em todo o país. As investigações envolvem diversas entidades, incluindo algumas instituições religiosas.
Milhares de documentos já foram analisados durante os trabalhos investigativos. A Comissão tem prazo de encerramento previsto para março de 2026, com possibilidade de prorrogação caso seja necessário para a conclusão das investigações.
Na publicação, Damares admitiu que a possível participação de instituições religiosas ou líderes evangélicos em esquemas fraudulentos lhe causa “profundo desconforto e tristeza”. A senadora ressaltou que a CPMI tem o dever constitucional de investigar os fatos “com responsabilidade, imparcialidade e base documental”.
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Após a divulgação da lista, Malafaia voltou a se manifestar nas redes sociais. O pastor acusou a senadora de contradição, argumentando que as igrejas citadas não se enquadram como grandes denominações, conforme havia sido sugerido inicialmente pela parlamentar. “A acusação foi leviana e denigre de maneira geral a Igreja Evangélica”, afirmou Malafaia.
O embate entre Damares e Malafaia acontece enquanto a CPMI continua investigando fraudes que teriam prejudicado milhares de beneficiários do INSS. A comissão já solicitou a suspensão de milhões de contratos considerados suspeitos, conforme informações divulgadas pelos parlamentares que integram o grupo.
