A irmã do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), foi presa na tarde desta quinta-feira (15) após ser identificada por câmeras do sistema de monitoramento Smart Sampa. Considerada foragida da Justiça, Janaína Reis Miron foi detida nas proximidades de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), na zona sul da capital, por policiais militares.
Segundo a Polícia Militar, o sistema de reconhecimento facial apontou a existência de dois mandados de prisão em aberto contra Janaína, que responde por desacato, embriaguez ao volante e lesão corporal. Ela foi abordada por volta das 15h20 e levada ao 11º Distrito Policial, em Santo Amaro.
Janaína foi condenada por embriaguez ao volante e desacato após uma abordagem ocorrida em outubro de 2022, em uma rodovia de Botucatu, no interior paulista. A sentença foi proferida em julho de 2025. De acordo com o processo, ela dirigia com a capacidade psicomotora alterada pela ingestão de álcool e desacatou policiais militares durante a ocorrência.
Uma policial relatou que o veículo trafegava em zigue-zague. Ela apresentava sinais visíveis de embriaguez, não portava documentos pessoais, estava com o licenciamento do carro vencido e com a habilitação fora do prazo de validade. Ainda segundo o depoimento, ao ser informada de que seria levada à delegacia, Janaína passou a ofender os agentes, ameaçou soltar cães que estavam no veículo contra a equipe e afirmou que seu marido era capitão da polícia, dizendo que iria prejudicar os policiais envolvidos.
Ela também se recusou a realizar o teste do bafômetro. Na sentença, o juiz destacou que a configuração do crime de embriaguez ao volante independe exclusivamente de prova técnica, como o teste do etilômetro, sendo suficiente a comprovação de alteração da capacidade psicomotora, o que foi demonstrado pelos relatos dos policiais.
O outro mandado de prisão refere-se a uma condenação por lesão corporal. O caso ocorreu em novembro de 2014 e teve como vítima o filho de Janaína. Segundo a denúncia, ela agrediu a criança com mordidas no braço, puxões de cabelo, batidas da cabeça contra a parede e arremesso de objetos, causando lesões corporais leves, confirmadas por exame de corpo de delito. A condenação foi proferida em abril de 2024.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que a prisão está amparada em mandados judiciais, obedeceu ao rigor da lei e foi executada de acordo com os critérios de identificação do Smart Sampa. A defesa não foi encontrada. O espaço da TMC está aberto para qualquer manifestação.
Lançado em 2024, o Smart Sampa é um sistema de videomonitoramento da prefeitura que utiliza reconhecimento facial por meio de mais de 30 mil câmeras espalhadas pela cidade. A tecnologia é integrada a uma central que reúne órgãos como a Guarda Civil Metropolitana, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a SPTrans e as polícias Civil e Militar, com o objetivo de identificar foragidos da Justiça e auxiliar na localização de pessoas desaparecidas.
