O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a líder da oposição venezuelana María Corina Machado lhe entregou sua medalha do Prêmio Nobel da Paz como presente. A declaração foi feita após encontro entre os dois na Casa Branca nesta quinta-feira (15/1).
O Instituto Nobel da Noruega esclareceu, em comunicado oficial, que a premiação não pode ser transferida conforme os estatutos da Fundação Nobel. A manifestação ocorreu logo após o anúncio do suposto presente ao presidente americano.
Declaração nas redes sociais
Em publicação após a reunião, Trump expressou admiração pela opositora venezuelana: “Ela é uma mulher extraordinária, que passou por muita coisa. María me presenteou com o Prêmio Nobel da Paz dela pelo trabalho que realizei. Um gesto maravilhoso de respeito mútuo”.
A resposta do Instituto Nobel foi direta quanto às regras da premiação. “Uma vez anunciado, o Prêmio Nobel não pode ser revogado, compartilhado ou transferido para outros. A decisão é final e vale para sempre”, afirmaram o Comitê Nobel Norueguês e o Instituto Nobel Norueguês no documento.
A organização também destacou que não comenta ações ou declarações dos laureados após a entrega do prêmio.
Reconhecimento internacional
Corina Machado, de 58 anos, recebeu o Nobel da Paz em 2025 em reconhecimento “por esforços persistentes em favor da restauração pacífica da democracia e dos direitos humanos na Venezuela”. A premiação inclui um valor monetário de 11 milhões de coroas suecas, aproximadamente R$ 6,2 milhões.
Ex-deputada da Assembleia Nacional, a líder opositora foi impedida de participar das eleições presidenciais venezuelanas em 2024 por determinação de autoridades alinhadas a Nicolás Maduro, então presidente do país.
Mudança política na Venezuela
Mesmo impossibilitada de concorrer, Machado apoiou um candidato substituto que, segundo auditorias independentes, teria vencido o pleito. Maduro declarou-se vitorioso, apesar das irregularidades apontadas nas verificações das urnas eletrônicas.
O cenário político venezuelano mudou em 3 de janeiro deste ano, quando forças americanas prenderam e removeram Maduro do poder em operação militar. Na ocasião, Trump declarou que não entregaria o governo da Venezuela a Machado.
Apesar dessa posição, a líder opositora agradeceu publicamente a Trump pela intervenção militar e afirmou que a Venezuela contava com o apoio do presidente americano para alcançar a liberdade. Na saída da Casa Branca, Corina cumprimentou apoiadores e disse: “Saibam que contamos com o presidente Trump para a libertação [da Venezuela]”, entre abraços e fotos com seguidores.
Trump tem manifestado colaboração com Delcy Rodríguez, ex-vice de Maduro e atual presidente interina da Venezuela. Em entrevista na Casa Branca na quarta-feira (14), o presidente americano referiu-se a Rodríguez como uma “pessoa incrível” e “fantástica”.
Após a reunião com Trump, Machado criticou a sucessora de Maduro, afirmando que “Delcy Rodríguez é parte do regime. Não há como um país em que 86% da população vive na pobreza conseguir atrair investimento real”. A líder opositora também alertou que “se há algo que este regime soube fazer com eficiência no passado, foi ganhar tempo e se aproveitar dos esforços realizados de boa-fé”.
A Casa Branca, por sua vez, informou que a avaliação de Trump sobre Machado — de que ela não tinha o “respeito” necessário para liderar o país — não mudou, mesmo após o encontro entre os dois.
