Em português, EUA fazem ameaça a imigrantes: “Trump vai te jogar na cadeia”

Governo republicano associa imigração ao uso de benefícios sociais e reforça política de deportações

Por Redação TMC | Atualizado em
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gesticula ao embarcar no Air Force One para viajar à Flórida, na Base Conjunta Andrews, em Maryland
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gesticula ao embarcar no Air Force One para viajar à Flórida, na Base Conjunta Andrews, em Maryland (Kevin Lamarque/Reuters)

O governo dos Estados Unidos, sob a gestão do presidente Donald Trump, intensificou sua política migratória com deportações em larga escala, endurecimento dos critérios para concessão de vistos e campanhas de alerta direcionadas a potenciais imigrantes, inclusive em português.

Segundo dados divulgados pelo próprio governo norte-americano, 605 mil pessoas foram deportadas entre 20 de janeiro e 10 de dezembro de 2025. No mesmo período, cerca de 1,9 milhão de imigrantes teriam deixado o país voluntariamente, movimento que a administração Trump classifica como “autodeportação”. A Casa Branca atribui esse resultado a mensagens veiculadas nas redes sociais e a incentivos financeiros para retorno aos países de origem.

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Como parte dessa estratégia, o Departamento de Estado anunciou que, a partir de 21 de janeiro, será suspensa temporariamente a emissão de vistos de imigração para cidadãos do Brasil e de outros 74 países, totalizando 75 nacionalidades afetadas. A medida não se aplica a vistos de turismo ou negócios, que continuam sendo emitidos normalmente para quem não pretende residir permanentemente nos Estados Unidos.

Em publicações nas redes sociais, o Departamento de Estado justificou a decisão afirmando que migrantes desses países acessam benefícios sociais em níveis considerados “inaceitáveis” pelo governo. Segundo o órgão, o congelamento permanecerá em vigor até que haja garantias de que novos imigrantes não se tornem dependentes de programas assistenciais nem representem custos ao erário norte-americano.

O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Piggot, afirmou que a política busca tornar inelegíveis pessoas que possam se tornar um “fardo” para o país. Em novembro de 2025, o governo já havia orientado consulados a aplicar de forma mais rigorosa a cláusula de “encargo público”, prevista na legislação migratória dos EUA, que permite negar vistos a candidatos com risco de depender de assistência governamental no futuro.

Com as novas diretrizes, agentes consulares passaram a avaliar com mais rigor critérios como condições de saúde, idade, domínio da língua inglesa, situação financeira e capacidade de sustento nos Estados Unidos. De acordo com o governo, fatores como idade avançada, sobrepeso ou histórico de uso de benefícios públicos podem levar à negativa do pedido de visto.

No último dia 12, o Departamento de Estado informou que 100 mil vistos considerados irregulares foram revogados e afirmou que continuará deportando pessoas com antecedentes criminais, como parte da política de segurança.

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Além das medidas administrativas, o governo Trump publicou mensagens de advertência em várias línguas, incluindo o português. Em uma dessas publicações, o Departamento de Estado alertou que pessoas que viajarem aos EUA com a intenção de “roubar os americanos” serão presas e deportadas. A campanha faz parte da iniciativa chamada “send them back” (“envie-os de volta”), divulgada também em inglês e espanhol.

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