A Polícia Federal investiga uma complexa rede de fundos de investimento conectados à SAF do Atlético Mineiro que utilizam o modelo “fundo sobre fundo” para dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários. A investigação, iniciada em 2025, revelou nesta sexta-feira (16/01) que o fundo Astralo 95, parte dessa estrutura, teria sido usado para desviar recursos do Banco Master, segundo comunicação do Banco Central.
A Galo Holding S.A., que detém 75% da SAF atleticana, tem entre seus acionistas o Galo Forte FIP, fundo anteriormente associado ao banqueiro Daniel Vorcaro. Conforme apurado por Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, documentos enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostravam que toda a carteira do Galo Forte estava investida na Galo Holding, mas não revelavam quem controlava o fundo.
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Durante 2025, os aportes do Galo Forte seguiram exatamente os prazos e valores prometidos por Vorcaro, o que garantiu ao banqueiro uma posição no Conselho de Administração da SAF do clube mineiro.
Em agosto do ano passado, a Operação Carbono Oculto, que apurava atividades do crime organizado no mercado financeiro, descobriu os fundos Olaf 95 e Hans 95, administrados pela Reag Trust. Estes fundos faziam parte de uma cadeia de investimentos em camadas.
A estrutura revelada mostrava que o Olaf 95 era o único investidor do Hans 95, que por sua vez investia exclusivamente no Alepo 95. Este último era o único investidor do Maia 95, que aplicava somente no Astralo 95, que finalmente era o único investidor do Galo Forte, fundo vinculado a Vorcaro.
Em novembro de 2025, após as informações serem divulgadas por jornalistas do Sport Insider em outubro, Vorcaro foi destituído do Conselho de Administração da SAF atleticana. O comunicado oficial explicou: “A decisão decorre de fatos de conhecimento público que geraram impedimentos para o exercício regular de suas funções, conforme previsto nas normas internas de governança”.
Apesar do afastamento de Vorcaro, o Galo Forte permanece como acionista da Galo Holding, controladora de 75% da SAF, enquanto os outros 25% pertencem ao clube.
A reportagem do UOL publicada ontem também indica que os principais beneficiários finais declarados do Astralo 95 são familiares de João Carlos Mansur, ex-proprietário da gestora Reag, que foi liquidada por determinação do Banco Central.
Em nota oficial, o Atlético-MG afirmou que o Galo Forte FIP é um veículo de investimento constituído regularmente, operando conforme a legislação e registrado na CVM, sob administração da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.
“O clube não participa da gestão do fundo, tampouco tem ingerência sobre sua estrutura, cotistas ou operações financeiras”, declarou o Atlético.
O clube também ressaltou que “todos os aportes realizados na SAF seguiram os procedimentos legais, contratuais e de governança aplicáveis, tendo como contraparte a Galo Holding e seus veículos de investimento, sem qualquer envolvimento do Clube em decisões ou movimentações de natureza bancária, financeira ou investigativa relacionadas a terceiros”.
As autoridades não divulgaram informações sobre possíveis desdobramentos das investigações relacionadas ao caso.
