O Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube aprovou, na noite desta sexta-feira (16), o impeachment do presidente Julio Casares. Em votação histórica realizada no Morumbis, 188 conselheiros votaram pelo afastamento do dirigente, superando com folga o quórum necessário de 171 votos. O cargo será ocupado interinamente pelo vice-presidente Harry Massis Júnior, de 80 anos, até a decisão final da Assembleia Geral de Sócios, prevista para ocorrer em até 30 dias.
Em entrevista à TMC, Marco Aurélio Cunha, conselheiro e figura histórica do Tricolor, traçou um diagnóstico severo sobre a situação do clube, classificando o momento atual como uma “decadência familiar”. Para Cunha, o São Paulo, que outrora foi exemplo de gestão e conquistas, estagnou em uma “soberba” que permitiu o avanço de administrações ineficientes.
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“Eu posso fazer uma metáfora: dizer que é a decadência familiar. Quando você tem uma família estruturada, que trabalha muito, que conquista tudo, que fez com muito esforço o Morumbi, o CT de Cotia, Barra Funda, conquista grandes títulos, você tem realmente uma projeção e é lembrado por grandes conquistas. Obviamente, os adversários também são fortes, eles se equipam também, olham aquilo que deu certo, vão copiando e melhorando, e o São Paulo ficou um pouco parado na sua soberba de ter sido um grande vencedor.”
Críticas à gestão e “escudos políticos”
Cunha descreveu a presidência de Julio Casares como uma “gestão de marketing”, que “embala muito e entrega menos”. Segundo o conselheiro, a atual diretoria utilizou grandes ídolos do clube — como Muricy Ramalho, Lugano e Raí — mais como “escudos de gestão política” do que como profissionais com real autonomia nas decisões.
O conselheiro destacou que o poder presidencialista no clube tornou-se absoluto, muitas vezes sufocando as vozes críticas no Conselho. “A política de coalizão fez uma maioria que aposta na ideia do marketing, mas as contas não fecham”, afirmou.
O peso da dívida e desafios financeiros
A situação financeira é o ponto central da crise. De acordo com Cunha, a gestão Casares acumulou uma dívida de R$ 500 milhões em cinco anos, média de 100 milhões por ano. “É um absurdo. Um clube que deve, que não tem controle sobre salários e que vende mal seus jogadores”, pontuou.
O texto de apoio à votação do impeachment reforça esse cenário, citando investigações da Polícia Civil sobre saques de R$ 11 milhões sem comprovação, depósitos suspeitos em espécie na conta pessoal de Casares e irregularidades na venda de camarotes do Morumbis.
O futuro do São Paulo
Para que o clube retorne à estabilidade ética e financeira, Marco Aurélio Cunha estima um prazo de, no mínimo, três anos de uma gestão “oxigenada e menos personalista”. Ele ressaltou que a vaidade tem sido um entrave para o progresso do São Paulo e defendeu uma administração pautada na transparência e no bem comum, independentemente de quem ocupe a cadeira da presidência.
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Agora, o futuro de Julio Casares depende dos sócios do clube. Caso a Assembleia Geral confirme a decisão do Conselho por maioria simples, Casares perderá definitivamente o mandato, que se estenderia até o fim de 2026. Se os sócios rejeitarem o impeachment, ele retoma o comando do Tricolor.
