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Entenda por que Donald Trump considera essencial controlar a Groenlândia

Ilha é vista por Washington como peça-chave para o Domo de Ouro, vigilância do Ártico e contenção de Rússia e China

Donald Trump voltou a colocar a Groenlândia no centro do debate internacional ao afirmar que o controle da ilha é “vital” para a segurança nacional dos Estados Unidos. A declaração foi feita em 14/01, quando o presidente relacionou diretamente o território ao projeto do Golden Dome (Domo de Ouro), sistema de defesa antimísseis que pretende implantar até o fim do mandato, em 2029.

Mas por que a Groenlândia é considerada tão estratégica pelo governo americano?

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Posição-chave entre EUA, Rússia e Europa

Localizada entre a América do Norte e o Ártico, a Groenlândia ocupa uma posição considerada crucial do ponto de vista militar. A ilha está no trajeto mais curto que um míssil balístico russo poderia percorrer para atingir o território continental dos EUA. Por isso, especialistas apontam que ela seria um ponto ideal para a instalação de radares e interceptadores de mísseis ligados ao Domo de Ouro.

Além disso, o território está inserido na chamada lacuna GIUK — corredor marítimo entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido —, uma das principais rotas que ligam o Oceano Ártico ao Atlântico Norte. Washington avalia que essa região será cada vez mais estratégica para o monitoramento de embarcações russas e chinesas.

Ártico ganha importância com mudanças climáticas

O derretimento do gelo no Ártico vem abrindo novas rotas de navegação, encurtando distâncias entre a Ásia e a Europa. Esse cenário aumenta o valor geopolítico da Groenlândia, tanto para o comércio quanto para operações militares.

Segundo analistas, os EUA buscam ampliar sua capacidade de vigilância aérea e marítima na região, algo que hoje é limitado pelo acesso direto ao Ártico. A Groenlândia, nesse contexto, funcionaria como um posto avançado estratégico.

Presença militar já existe, mas Trump quer ampliar

Os Estados Unidos mantêm, desde a Segunda Guerra Mundial, uma base militar no extremo noroeste da ilha, hoje conhecida como Base Espacial de Pituffik. Atualmente, pouco mais de 100 militares americanos estão alocados permanentemente no local, número muito inferior ao da Guerra Fria, quando o contingente chegava a cerca de 10 mil soldados.

Pelos acordos com a Dinamarca, os EUA podem ampliar essa presença militar, mas Trump defende ir além, argumentando que o controle direto do território garantiria mais eficiência na defesa antimísseis.

O que é o Domo de Ouro?

Inspirado no Domo de Ferro de Israel, o Golden Dome é um sistema de defesa avaliado em cerca de US$ 175 bilhões. O projeto prevê uma combinação de satélites, radares terrestres, interceptadores de mísseis e, futuramente, armas a laser.

O objetivo é detectar e neutralizar mísseis em todas as fases de um ataque, desde antes do lançamento até os instantes finais antes do impacto. A Groenlândia é vista como peça-chave, especialmente na fase inicial, quando a interceptação é considerada mais eficaz.

Recursos naturais entram na conta

Além da questão militar, a ilha concentra grandes reservas ainda pouco exploradas de petróleo, gás, minerais críticos e terras raras. Esses recursos são essenciais para tecnologias estratégicas, como veículos elétricos, turbinas eólicas, sistemas de armazenamento de energia e equipamentos de defesa.

Hoje, a China domina grande parte do mercado global de terras raras, o que reforça o interesse americano em reduzir essa dependência.

Reação internacional e tensões diplomáticas

As declarações de Trump provocaram forte reação na Europa. Países como França, Alemanha, Reino Unido, Suécia e Noruega anunciaram o envio de tropas e missões de reconhecimento à Groenlândia, a pedido da Dinamarca. O governo dinamarquês classificou como “inaceitável” qualquer tentativa de anexação.

Apesar disso, Copenhague e o governo groenlandês afirmam estar abertos a discutir o reforço da cooperação militar com os EUA, mas rejeitam a perda de soberania. Pesquisas indicam que a ampla maioria da população local é contrária à anexação.

Leia mais: Trump ameaça aliados europeus com novas tarifas para pressionar compra da Groenlândia

Além da pressão diplomática e militar, Trump passou a usar a política comercial como instrumento de negociação. O presidente ameaçou impor tarifas crescentes sobre importações de países europeus aliados — incluindo Dinamarca, França e Alemanha — caso não haja avanço em um acordo que permita aos Estados Unidos ampliar o controle sobre a Groenlândia.

Segundo Trump, as taxas podem chegar a 25% e permanecer em vigor até que a situação seja resolvida. A estratégia elevou as tensões com a União Europeia e gerou críticas inclusive entre parlamentares do próprio Partido Republicano, que veem a medida como um risco à relação com aliados históricos e à estabilidade da Otan.

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