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Extrema direita pode voltar ao poder após 40 anos de ditadura salazarista em Portugal

André Ventura, do partido Chega, aparece com 24% das intenções de voto, seguido pelo socialista António José Seguro com 23% e João Cotrim de Figueiredo com 19%, segundo levantamento.

Por Redação TMC | Atualizado em
André Ventura, candidato do Chega
Câmera Fotográfica Se André Ventura, do Chega, for eleito, a plenária irá marcar a volta da extrema direita ao poder após 41 anos da ditadura de Salazar, entre 1933 e 1974 (Crédito: Reuters)

Portugueses vão às urnas neste domingo (18/01) para eleger o novo presidente do país. A votação acontece em todo o território nacional e mobiliza cerca de 11 milhões de eleitores. Esta é considerada a eleição mais fragmentada da história recente de Portugal, com candidatos da esquerda, centro-direita e extrema direita em condições semelhantes de competitividade.

O atual presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que está no cargo há quase uma década, não pode concorrer a um terceiro mandato conforme estabelece a Constituição portuguesa. O pleito presidencial ocorre menos de um ano após as eleições parlamentares que definiram o primeiro-ministro.

André Ventura, líder do partido de extrema direita Chega, lidera as pesquisas com 24% das intenções de voto, segundo levantamento do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica. Se Ventura for eleito, a plenária irá marcar a volta da extrema direita ao poder após 41 anos da ditadura de Salazar, entre 1933 e 1974.

O socialista António José Seguro aparece logo atrás com 23%, seguido por João Cotrim de Figueiredo, do partido Iniciativa Liberal, com 19%, e Luis Marques Mendes, da coligação PSD/AD, com 14%.

A ascensão do Chega como segunda força política nas eleições parlamentares anteriores modificou o cenário eleitoral português. As pesquisas indicam que um terço dos eleitores ainda pode mudar de ideia até o momento da votação.

O cientista político António Costa Pinto declarou à Reuters: “A fragmentação do eleitorado continua, tornando provável que os candidatos dos dois partidos tradicionais recebam menos votos do que os seus partidos obtiveram nas eleições parlamentares do ano passado (em que o Chega ultrapassou os Socialistas)”.

Se nenhum candidato alcançar mais de 50% dos votos neste domingo, haverá segundo turno em 8 de fevereiro. Caso isso ocorra, será a primeira vez em 40 anos que uma eleição presidencial portuguesa não se resolve na primeira votação.

Ventura, apesar de liderar as pesquisas, enfrenta alta rejeição: 60% dos eleitores afirmam que não votariam nele. O professor de Ciências Políticas da Universidade Católica de Lisboa, José Castello Branco, avalia que essa rejeição pode ser decisiva.

“É uma corrida (eleitoral) completamente aberta”, afirmou Castello Branco à Reuters. O professor acrescentou que, mesmo assim, chegar ao segundo turno já seria uma “vitória” para Ventura, proporcionando ao Chega maior poder de negociação com o governo minoritário de centro-direita.

Em Portugal, que adota o sistema semipresidencialista, o presidente exerce funções principalmente cerimoniais como chefe de Estado, enquanto o primeiro-ministro lidera o governo. O presidente possui poderes importantes em momentos de crise, como comandar as Forças Armadas, dissolver o Parlamento, destituir o governo e convocar novas eleições.

O processo eleitoral conta com onze partidos na disputa, com cinco deles chegando a ficar empatados em pesquisas anteriores, rompendo com a tradicional polarização entre dois grupos políticos que caracterizava as eleições anteriores.

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