A votação das eleições presidenciais em Portugal foi encerrada neste domingo (18/01), às 20h no horário local (17h em Brasília), após uma disputa marcada pela fragmentação do eleitorado e pela ascensão da extrema direita. Todos os votos foram apurados.
António José Seguro, socialista, ficou com a maioria dos votos (31,13%); seu adversário no segundo turno será André Ventura, candidato de extrema-direita do Chega, que obteve 23,49% dos votos. João Cotrim Figueiredo, com apenas 15,99%, ficou em terceiro; com isso, o candidato de centro-direita deixa a disputa.
O cenário marca a primeira vez em cerca de quatro décadas que a eleição presidencial portuguesa não é definida já na primeira rodada.
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Cerca de 11 milhões de eleitores foram convocados às urnas menos de um ano após as últimas eleições legislativas. Pesquisas indicam que a taxa de abstenção deve ficar entre 35% e 43%, o que pode representar o maior comparecimento em uma eleição presidencial desde 2006.
A disputa ocorre após quase dez anos de mandato de Marcelo Rebelo de Sousa, de centro-direita, impedido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato consecutivo. A ausência do atual presidente abriu espaço para uma corrida inédita, com ao menos três forças políticas chegando à reta final em condições semelhantes.
O avanço do Chega redesenhou o tradicional equilíbrio entre socialistas e sociais-democratas. André Ventura, apesar de liderar parte das pesquisas ao longo da campanha, enfrenta alta rejeição — estimada em cerca de 60%. Ainda assim, especialistas avaliam que uma eventual ida ao segundo turno já representa uma vitória política para o partido, ampliando seu poder de influência em um cenário de governo minoritário.
António José Seguro, por sua vez, construiu uma virada ao longo da campanha. Inicialmente atrás nas pesquisas, o socialista apostou em um discurso moderado e na imagem de “oposição responsável” que marcou sua atuação como líder do Partido Socialista durante a crise econômica do início da década passada. Analistas apontam que ele pode se beneficiar do chamado “voto útil” de eleitores de centro-direita no segundo turno.
Em Portugal, o presidente da República é o chefe de Estado e exerce funções majoritariamente institucionais. O cargo inclui a sanção ou veto de leis, a possibilidade de dissolver o Parlamento em momentos de crise política, o comando das Forças Armadas e a representação internacional do país.
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