O ex-ministro e diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Raul Jungmann, morreu aos 73 anos em Brasília. O falecimento ocorreu neste domingo (18), após complicações de um câncer no pâncreas. Jungmann estava internado desde sábado (17) em um hospital da capital federal.
O político pernambucano enfrentou um período de internações nos últimos meses. Ele foi hospitalizado inicialmente em novembro de 2025, recebeu alta em dezembro, voltou a ser internado próximo ao Natal e foi liberado após o Ano Novo. A última internação aconteceu no dia anterior à sua morte.
Trajetória política
Jungmann dedicou mais de cinco décadas à vida pública brasileira. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, ocupou os ministérios do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias. Na gestão de Michel Temer, comandou o Ministério da Defesa e, em 2018, tornou-se o primeiro ministro da Segurança Pública do Brasil.
O político iniciou sua militância no antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) durante a juventude. Posteriormente, filiou-se ao MDB entre 1972 e 1994, integrou o PPS até 2001, migrou para o PMDB e retornou ao PPS em 2003.
Como parlamentar, exerceu três mandatos como deputado federal por Pernambuco, sendo eleito em 2002 e reeleito em 2006. Em 2010, concorreu ao Senado, mas não obteve êxito. Em 2012, conquistou uma cadeira como vereador do Recife. Nas eleições de 2014, ficou como suplente para a Câmara dos Deputados, assumindo o mandato na legislatura iniciada em 2015, permanecendo até 2016.
Jungmann também presidiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e, desde 2022, dirigia o IBRAM. Durante sua carreira, foi investigado por suspeitas de fraude em licitação, peculato e corrupção em contratos de publicidade firmados durante sua gestão no Ministério do Desenvolvimento Agrário, que somavam R$ 33 milhões, mas o inquérito foi arquivado pela Justiça Federal.
Nota do IBRAM
O Instituto Brasileiro de Mineração emitiu uma nota oficial sobre o falecimento:
“Com imenso pesar, o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) comunica o falecimento de Raul Belens Jungmann Pinto, diretor-presidente da instituição, ocorrido em 18 de janeiro de 2026, em Brasília. Em atenção a um desejo de Raul Jungmann, o velório ocorrerá em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos.
Pernambucano, Raul Jungmann dedicou mais de cinco décadas à vida pública brasileira, atuando com integridade, espírito republicano e um compromisso inabalável com a democracia, o desenvolvimento sustentável e o diálogo.
Ao longo de sua trajetória, ocupou funções de grande relevância nacional, entre elas a presidência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), três mandatos como deputado federal e quatro ministérios – Política Fundiária, Desenvolvimento Agrário, Defesa e Segurança Pública. Em 2022, assumiu a presidência do IBRAM, liderando uma importante agenda de transformação do setor mineral, pautada pelos princípios ESG (Ambiental, Social e Governança) e pela defesa de uma mineração mais responsável e alinhada aos desafios do século XXI.”
O IBRAM destacou que sob a liderança de Jungmann, a instituição “fortaleceu seu protagonismo institucional e seu compromisso com a legalidade, a sustentabilidade, a inovação e o papel estratégico dos minerais na transição energética global.”
Ana Sanches, presidente do Conselho Diretor do IBRAM, afirmou que “Raul Jungmann foi um homem público de estatura singular, defensor firme da democracia e profundamente comprometido com o Brasil e com o interesse público.” Segundo ela, “à frente da Diretoria Executiva do Instituto, Jungmann conduziu a entidade por um período decisivo, fortalecendo o IBRAM e beneficiando todo o setor mineral, período este marcado pelo diálogo, pela visão estratégica e pela integridade.”
A instituição finalizou sua nota expressando solidariedade: “Neste momento de profunda tristeza, o IBRAM manifesta solidariedade à família, amigos e colegas de jornada, agradecendo por tudo que Raul Jungmann representou para o Brasil, ao setor mineral e ao Instituto.”
