A polícia de Barueri investiga a possível participação de uma mulher no assassinato de dois médicos ocorrido em um restaurante de Alphaville, na Grande São Paulo.
Testemunhas afirmam que ela teria entregue uma bolsa contendo a arma utilizada por Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos, para matar Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinícius dos Santos Oliveira, de 35 anos.
A prisão em flagrante de Carlos Silva Filho já foi convertida em preventiva.
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As vítimas foram socorridas após os disparos, mas não resistiram aos ferimentos e faleceram no pronto-socorro. As câmeras de segurança do estabelecimento registraram toda a dinâmica do crime, material que agora auxilia nas investigações sobre a motivação e o possível envolvimento da acompanhante do atirador.
O delegado Andreas Schiffmann, de Barueri, afirmou que a investigação aponta que questões econômicas teriam motivado o crime: “Tudo indica que havia uma disputa com fundo econômico. Formalmente, ele (Silva Filho) ficou em silêncio, mas ele me falou que tinha questões com essa pessoa (Luís Roberto) em razão de vários contratos, inclusive contratos de licitação.” declarou Schiffmann ao Estadão.
Agora, o delegado busca esclarecer o papel da mulher que acompanhava Silva Filho no momento do crime. “Já sabemos quem é a mulher, mas não consegui ouvi-la ainda. Tem esses comentários de que ela poderia ter entregue a bolsa com a arma.” afirmou Schiffmann.
Sobre a possível responsabilização criminal, o delegado explicou: “No Brasil, conforme nossa legislação, todo mundo que auxilia de alguma forma ou concorre para o crime responde por ele, mas ela teria que ter consciência, pelo menos saber que tinha uma arma ali.”
Conforme relatado pelo delegado, os três médicos se encontraram por acaso no estabelecimento. Carlos Silva Filho já estava no local quando Luís Roberto e Vinícius chegaram, ocupando uma mesa de espera.
É quando Silva Filho se levanta, vai em direção a Luís e inicia uma discussão acalorada. Momentos depois, quando os funcionários já tinham apartado a briga, os guardas civis intervêm e revistam o médico que faria os disparos, constatando que ele não estava armado.
“As imagens falam por si só. A gente tem de aprofundar um pouquinho mais na questão da participação dessa outra pessoa [a mulher que teria passado a bolsa]”, destacou o delegado ao Estadão.
Outro ponto sob investigação são os antecedentes criminais de Carlos Alberto. “Vamos pesquisar os antecedentes de Carlos Alberto, pois constou na audiência de custódia que ele estava em liberdade provisória por uma condenação anterior em Aracaju”, informou Schiffmann.
Quanto à arma utilizada no crime, as autoridades aguardam informações do Exército sobre sua regularidade. “Outra questão a ser melhor esclarecida é a da arma. Segundo o delegado, o médico que atirou nos colegas disse que a arma era dele e que ele tinha registro como CAC [Colecionador, Atirador, Caçador]”, explicou o delegado.
Para a polícia, o caso é classificado como duplo homicídio doloso com duas qualificadoras agravantes: motivo torpe, por envolver disputa financeira, e impossibilidade de defesa das vítimas, que foram surpreendidas pelos disparos quando já deixavam o local.
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