O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu nesta segunda-feira (19) com o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, para analisar o convite dos Estados Unidos para que o Brasil integre o Conselho da Paz focado na situação da Faixa de Gaza. O encontro aconteceu no Palácio do Planalto e a decisão sobre a proposta americana ainda não foi tomada pelo presidente.
A equipe do governo brasileiro realiza uma análise minuciosa do documento enviado pela Casa Branca. O Palácio do Planalto examina as possíveis consequências da participação brasileira para as relações diplomáticas na região e pondera diversos fatores antes de assumir qualquer posição oficial.
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Entre os elementos sob avaliação estão os propósitos específicos do conselho, a composição do grupo, as posições de outras nações convidadas em relação à crise no Oriente Médio e eventuais implicações financeiras das decisões que o colegiado internacional venha a tomar.
Por ora, o governo Lula resiste à ideia de integrar este Conselho da Paz sugerido pelo presidente Donald Trump. A carta foi encaminhada pelo americano a Brasília na sexta-feira (16/01) à tarde, e as primeiras análises no entorno do brasileiro são críticas à proposta.
O Conselho da Paz foi anunciado na semana passada pela administração Trump. Conforme comunicado oficial da Casa Branca, o grupo abordará temas como “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.
A avaliação no Planalto é a de que, da forma como está concebido, o conselho deixa poder excessivo nas mãos de Trump, com o presidente americano decidindo a pauta e quais países integrarão o colegiado. A carta também é muito ampla, deixando muitos pontos em aberto, ou seja, a possibilidade do conselho atuar em diversos conflitos pelo mundo.
O Brasil tem adotado postura crítica em relação às ações de Israel em Gaza. Em diversos pronunciamentos, Lula caracterizou as operações do governo Netanyahu como “genocídio” contra os palestinos, mencionando uma suposta tentativa de “extermínio do povo palestino” e “aniquilamento de seu sonho de nação”.
O ministro Mauro Vieira também se manifestou sobre o tema, descrevendo as operações militares israelenses como “carnificina”. Embora o chanceler reconheça o direito israelense à autodefesa, ele afirmou que as ações contra civis palestinos “já ultrapassaram há muito tempo qualquer limite de proporcionalidade”.
Em outubro de 2023, quando a guerra na região se intensificou após ataques do Hamas a Israel, o Brasil tentou aprovar no Conselho de Segurança da ONU uma resolução para estabelecer um cessar-fogo e garantir a entrada contínua de ajuda humanitária para a população palestina.
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A leitura, na prática, é a de que o conselho proposto por Trump se sobrepõe ao Conselho de Segurança já existente na ONU, que tem cinco países com cadeira permanente e dez rotativos. Por ora, a ordem no Planalto é avaliar com cautela a proposta e fazer consultas internas e a outros países antes de dar uma resposta definitiva.
