Donald Trump publicou nesta terça (20/01) imagens feitas por inteligência artificial nas suas redes sociais que chamaram a atenção, causaram polêmica, e reacenderam os tópicos do ataque na Venezuela e os planos de anexação da Groenlândia. Além destas imagens, o presidente dos Estados Unidos também publicou uma foto no Salão Oval, em meio a uma reunião com líderes europeus.
De fato, aconteceu essa reunião, exatamente da forma em que é retratada. O que não aconteceu é a existência de um mapa atrás de Donald Trump; neste mapa, a bandeira dos Estados Unidos está, além do território americano, presente no território canadense, da Groenlândia e da Venezuela, como se tudo isso fizesse parte dos Estados Unidos.
Mas por que tudo isso? Justamente porque Trump está pegando o avião e vindo para a Europa. Ele chega amanhã, para participar do Fórum Econômico Mundial de Davos, e a grande expectativa é de que ele tenha novas reuniões com líderes europeus. E o que ele tem dito, e voltou a dizer nesta madrugada, é que os europeus não têm chance alguma de reverter o seu desejo pela Groenlândia. Não há volta atrás. Ou seja, agora é só uma questão de negociar.
Do lado dos europeus há muita resistência; a consideração de sanções ou de tarifas contra os americanos, inclusive, paira no ar. Todavia, tarifas são sempre complicadas para os europeus, afinal elas afetariam a própria economia europeia.
Esta é uma parte da história, mas não é a única. Ao mesmo tempo, Trump abriu uma ofensiva contra Emmanuel Macron, presidente da França, por conta do conselho da paz; a “ONU paralela” que Donald Trump quer criar para ele mesmo. Ele seria a autoridade máxima, ele teria poder de veto, ele escolheria quem faria parte, quem não vai fazer parte, etc.
Trump convidou, de fato, o presidente Lula. Por enquanto, o governo brasileiro não se pronunciou; mas o que se sabe é que Lula não vai aceitar essa proposta. E Macron tampouco aceitou; foi o primeiro a dizer publicamente que a França não pretende entrar nesse conselho.
Por isso, Trump anunciou que se Macron não se juntar ao conselho, ele irá colocar tarifas de 200% sobre o vinho e sobre a champagne francesa no mercado americano, o maior mercado do mundo. Ou seja, uma ameaça: “ou você faz parte do meu clube, da ‘minha ONU’, ou você terá sérios problemas”.
E por que a França não quer fazer parte do conselho? O motivo é muito simples: na ONU, a França é um dos cinco países que tem poder de veto. No conselho da paz de Trump, só tem um país que teria esse poder de veto; o próprio governo americano.
Acabou o tempo do hambúrguer, da calça jeans, do cinema de Hollywood. Começou um outro tempo, um tempo difícil de entender.
