Ao Vivo TMC
Ao Vivo TMC
Luiz Felipe Pondé
Luiz Felipe Pondé
Filósofo de destaque, professor universitário e autor de diversos livros, Pondé é conhecido por suas análises ácidas e reflexões profundas sobre a cultura, a sociedade contemporânea e a existência humana. A coluna Sem Dó oferece uma visão crítica e sem concessões sobre os temas do cotidiano, provocando o ouvinte a pensar para além do senso comum.

Pondé: “Indignação de milionários muda o que?”

“Recentemente, o cantor americano Bruce Springsteen atacou o governo de Donald Trump e homenageou a mulher assassinada pela polícia de imigração norte americana, o ICE.

O cantor falou que essa polícia de fronteira americana está agindo como a Gestapo, que foi foi a polícia secreta oficial da Alemanha Nazista, e caçando imigrantes ilegais, dando preferência para negros, indígenas e latinos, o que eu não duvido. Mas independente deste fato feio, qual é a relevância de um cantor de rock atacar o governo Trump? Nenhuma, zero.

Inclusive, porque ele continua vivendo muito bem. Com isso, ele na verdade aumenta o engajamento dos seus próprios seguidores, endossa o fato de que ele tá sinalizando virtude e acabou, mais nada. Isso é muito comum acontecer em regimes violentos e que muitas vezes artistas vivem muito bem, intelectuais vivem muito bem, apesar do regime ser totalitário e sair caçando outro tipo de gente.

Quer ver um exemplo? Durante a ocupação nazista na França, Jean-paul Sartre, grande filósofo, estava escrevendo “O Ser e o Nada”, um livro importante na filosofia. Ele não era judeu, então salvo. Sua amada Simone de Beauvoir também estava ali escrevendo livro. Eles estavam montando peça de teatro, estavam indo jantar no Café de Flor.

Picasso, grande artista, também viveu ali aparentemente e bem durante a ocupação nazista. Portanto, além de que alguns falam, mas a verdade não fazem grande coisa, outros convivem muito bem com regime totalitário. Que que adianta você fazer um uma obra de artes plásticas para uma exposição europeia chique denunciando algo? Nada.

A obra vai ser cara, gente descolada e rica vai tá vendo, vai sair na coluna social, quem pintou vai faturar uma grana e qual é o impacto que isso tem no objeto da violência supostamente referida na obra de artes plásticas? Zero. A gente sabe que na realidade o que está em jogo sempre nesse papo é o grande ego de quem faz a obra. Mesmo Martin Heidegger, filósofo alemão durante o regime nazista, o que que ele estava fazendo? Trabalhando na universidade super bem, escrevendo obras importantes. Conviveu muito bem com o regime nazista.

É o que acontece normalmente com a maior parte dessa moçada que posa de revolucionário, de resistente, mas resistente coisa nenhuma. Escreve uma coisa aqui e ali não corre praticamente quase nenhum risco quando algumas pessoas de fato correm. No caso do Brasil, Vladimir Herzog de fato pagou com a vida, né? Mas isso não é exatamente a regra geral”.

Veja a coluna completa de Luiz Felipe Pondé no Youtube da TMC: