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Polícia de Portugal prende 37 neonazistas em operação antiterrorismo

Grupo neonazista intimidava, perseguia e coagia minorias e imigrantes em Portugal, segundo polícia local

A Unidade de Contraterrorismo da Polícia Judiciária de Portugal prendeu 37 integrantes de um grupo neonazista durante operação antiterrorismo realizada nesta terça-feira (20/1) no país.

A ação, batizada de Operação Irmandade, foi considerada uma das maiores ações contra grupos neonazistas já realizadas em Portugal. Além da prisão de integrantes do grupo, a operação apreendeu armamentos e materiais de propaganda neonazista em diversas localidades do país europeu. As investigações começaram no início de 2024 e devem prosseguir por mais alguns meses.

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Os detidos pertencem ao grupo 1143, cujo nome faz referência ao ano de fundação de Portugal. Segundo comunicado oficial da polícia portuguesa, os membros da organização “adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e à extrema direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias e etnias, designadamente imigrantes”.

“Há um forte componente de gênero, as vítimas são em geral mulheres”, afirmou Luís Neves, diretor-geral da Polícia Judiciária em comunicado à imprensa.

Investigações e contexto

As investigações sobre o grupo extremista começaram no início de 2024, após pressão da União Europeia para combater o crescimento de organizações radicais em território português.

Um relatório da Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância, publicado em junho de 2025, identificou “um aumento acentuado do discurso de ódio [em Portugal], que visa, sobretudo, os migrantes, os ciganos, a comunidade LGBTQIA+ e as pessoas negras”.

Entre 2019 e 2024, as denúncias judiciais relacionadas a crimes de ódio em Portugal quintuplicaram, conforme dados do mesmo relatório europeu. A operação policial ocorreu em várias cidades, incluindo Lisboa e Guimarães.

Liderança e membros notórios

Mário Machado, principal líder neonazista do 1143, já está preso em Lisboa desde maio de 2025. Ele cumpre pena de 2 anos e 10 meses por incitamento ao ódio e violência contra mulheres de esquerda. As autoridades acreditam que Machado continua dirigindo o grupo de dentro da prisão, o que pode agravar sua sentença.

As autoridades de Portugal investigam a comunicação diretamente da cadeia e como as informações circularam entre o líder e os demais integrantes do grupo.

Um dos integrantes do grupo neonazista é Bruno Silva, brasileiro naturalizado português, que se encontra em prisão preventiva desde outubro de 2025 por ameaçar uma jornalista brasileira. Silva ficou conhecido por se autodeclarar “o português mais racista de Portugal” e por oferecer um apartamento em Lisboa a quem lhe entregasse cabeças de cem brasileiros.

Os detidos serão submetidos a interrogatório a partir desta quarta-feira (21/1). A polícia busca esclarecer as conexões do 1143 com redes extremistas internacionais.

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