O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), foi vaiado na tarde desta terça-feira (20/01) durante cerimônia ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na cidade de Rio Grande, no sul do estado. O evento marcou a assinatura de contratos para a construção de navios da Petrobras no Estaleiro Rio Grande, administrado pela Ecovix.
As vaias começaram quando o nome de Leite foi citado pelo cerimonial e se intensificaram durante o discurso da prefeita de Rio Grande, Darlene Pereira (PT), ao agradecer a parceria com o governo estadual. Ao subir ao palco, o governador teve dificuldade para iniciar sua fala diante do barulho da plateia, formada majoritariamente por trabalhadores ligados à Petrobras e integrantes de movimentos sociais.
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Em seu discurso, Leite pediu respeito e afirmou que o evento tinha caráter institucional. “Este é o amor que venceu o medo? Não é, né? Então vamos respeitar, por favor. Eu estou aqui cumprindo o meu dever institucional, em respeito ao cargo que exerço, em nome do povo do Rio Grande do Sul, com respeito ao presidente da República”, declarou o governador.
“É um ambiente institucional, não é um comício eleitoral”, reforçou. O governador destacou que ele e o presidente foram eleitos pelo mesmo eleitorado, apesar das diferenças políticas, e afirmou que hostilizar quem pensa diferente não contribui para a união do país. “O Brasil teve um presidente eleito com 50,8% dos votos, e 49% votou em outro candidato. Se desejam união, não simplesmente hostilizem quem pensa diferente”, afirmou.
Leite também alertou que a postura da plateia pode aprofundar divisões políticas e pediu atenção do governo federal para demandas da região Sul. Durante a fala, mencionou desequilíbrios federativos, citando incentivos fiscais concedidos a outras regiões, como os benefícios da Sudene. Segundo ele, trata-se de uma distorção histórica, sem atribuir responsabilidade direta ao presidente.
Último a discursar, Lula não comentou diretamente as vaias ao governador, mas citou Leite em tom cordial. O presidente deu um tom político ao discurso e voltou a criticar a disseminação de desinformação, pedindo que apoiadores não compartilhem conteúdos falsos. Em determinado momento, a plateia entoou gritos de “sem anistia”.
A cerimônia integrou a agenda presidencial no Rio Grande do Sul, que incluiu também a entrega de 1.276 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida. No Polo Naval, foram assinados contratos entre a Ecovix e a Transpetro para a construção de cinco navios gaseiros, além de 36 embarcações de apoio, com investimento de R$ 2,8 bilhões, dentro do programa Mar Aberto. Durante o evento, a Petrobras também anunciou investimento de R$ 6 bilhões para a transformação da Refinaria Riograndense na primeira biorrefinaria do país.
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