A Polícia Civil de São Paulo cumpre quatro mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira (21/01) para investigar um esquema de comercialização irregular de camarotes no estádio do Morumbis. Entre os alvos da operação estão Mara Casares, ex-esposa do ex-presidente do São Paulo Futebol Clube, Julio Casares, e Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base do clube.
Rita Adriana, apontada como responsável pela exploração comercial de um camarote durante show da cantora Shakira programado para fevereiro de 2025, também está entre os investigados. A ação policial é conduzida pela 3ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração (DPPC).
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A operação ocorre no Morumbis e em outros endereços vinculados aos investigados na capital paulista. Os agentes da Polícia Civil realizam buscas para coletar provas sobre o funcionamento do esquema.
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Inicialmente, Rita Adriana não foi encontrada no endereço em que a polícia fez a primeira busca. Mas seus filhos, presentes no local, informaram que a mesma residia atualmente em outro endereço. Lá, anotações pertinentes foram encontradas.
Já na residência de Mara Casares as buscas tiveram êxito, resultando na apreensão de R$ 20 mil em espécie, além de farta documentação e uma CPU.
Por fim, na residência de Douglas, a polícia constatou que o alvo estava em viagem ao exterior. As equipes foram atendidas pelos filhos do investigado e as buscas no imóvel permanecem em andamento.
O São Paulo Futebol Clube emitiu uma nota, destacando que “é vítima neste caso e vai contribuir com as autoridades na investigação”.
Como o esquema foi descoberto?
O caso veio à tona após a divulgação de áudios pelo portal “ge.com” em 15 de dezembro de 2025. As gravações revelaram conversas entre Schwartzmann e Rita que indicavam o esquema de venda irregular dos espaços no estádio são-paulino.
O escândalo provocou mudanças na administração do clube. Mara Casares foi afastada do cargo de diretora de eventos em outubro de 2025. Seu ex-marido, Julio Casares, sofreu processo de impeachment da presidência do São Paulo na última sexta-feira (16).
Segundo as investigações, o camarote 3A, identificado em documentos internos como “sala presidência”, foi repassado a Rita de Cassia Adriana Prado, que comercializou o espaço para o show da Shakira. Os ingressos foram vendidos por valores que chegaram a R$ 2,1 mil, gerando faturamento aproximado de R$ 132 mil apenas neste evento.
O caso ganhou dimensão judicial quando Adriana entrou com uma ação na 3ª Vara Cível de São Paulo contra Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos Ltda. No processo, Adriana alega que Carolina reteve sem autorização um envelope com 60 ingressos do camarote no dia 13 de fevereiro, após efetuar apenas um pagamento parcial de R$ 100 mil dos R$ 132 mil acordados.
Adriana registrou boletim de ocorrência na 34ª Delegacia de Polícia de São Paulo sobre o incidente.
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Após a revelação do esquema, o Ministério Público abriu investigação para apurar possível gestão temerária durante a administração de Casares no São Paulo.
Nas gravações obtidas pelo “ge.com”, Schwartzmann demonstra preocupação com as consequências do processo judicial e pressiona Adriana a retirar a ação. O dirigente alerta sobre possíveis danos à imagem de Mara Casares, Julio Casares e do superintendente Marcio Carlomagno, mencionado como responsável por autorizar a cessão do camarote. Em determinado momento, Schwartzmann admite que “ganhou” com o repasse de camarotes.
Mara Casares também aparece nas gravações pedindo que Adriana encerre o processo para evitar prejuízos à sua trajetória no clube. Ela menciona ter planos futuros no São Paulo e afirma que seria a principal prejudicada caso o caso avançasse judicialmente.
