O Will Bank, banco digital pertencente ao conglomerado do Banco Master, teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira (21/01). A instituição financeira, que acumulou cerca de 9 milhões de clientes, operava sob regime especial de administração temporária antes da decisão final do BC.
A medida ocorre dois meses após a liquidação do próprio Banco Master, controlador do Will, decretada em 18 de novembro de 2025. Quando o Master foi liquidado, o banco digital permaneceu sob regime especial, pois havia potenciais compradores interessados na aquisição.
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O BC manteve inicialmente o Will Bank sob administração temporária por considerar viável sua venda no mercado. Este arranjo permitiria que a instituição continuasse funcionando por até 120 dias enquanto negociações eram conduzidas.
A liquidação foi determinada após as tratativas para venda não avançarem e diante do agravamento da situação financeira e operacional da instituição digital. Veículos de imprensa relataram que figuras como o apresentador Luciano Huck e a Mubadala Capital chegaram a avaliar a aquisição da fintech, mas as conversas não avançaram.
Fundado em 2017, o Will Bank foi adquirido pelo Banco Master no início de 2024. Na época da aquisição, a fintech contabilizava aproximadamente 6 milhões de clientes e havia registrado faturamento de R$ 2,8 bilhões no ano anterior.
A instituição nasceu com a proposta de ampliar a inclusão financeira, oferecendo produtos como cartão de crédito sem anuidade para clientes fora do sistema bancário tradicional, conseguindo maior penetração principalmente na região Nordeste.
Dados do Banco Central mostram que o Will Bank encerrou o primeiro semestre de 2025 com R$ 14,4 bilhões em ativos, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido de aproximadamente R$ 300 milhões.
No terceiro trimestre de 2025, a instituição apresentou lucro líquido de R$ 408,3 milhões, apesar de um histórico recente de deterioração patrimonial.
Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) assume a responsabilidade de ressarcir os credores do Will Bank, respeitando o limite máximo de cobertura de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
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Segundo o FGC, após revisão das informações, R$ 40,6 bilhões serão repassados a 800 mil investidores afetados pela liquidação do Banco Master e do Will Bank. O processo específico e o cronograma para pagamentos aos clientes do Will Bank ainda não foram detalhados.
Antes da liquidação oficial, a Mastercard suspendeu a aceitação de transações feitas com cartões emitidos pelo Will Bank, após a instituição não honrar pagamentos a participantes do arranjo de cartões. A bandeira também executou garantias ligadas a dívidas do Will Bank, passando a deter participações na varejista Westwing e no BRB.
