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Marco Bello Jr.
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Marco Bello Jr. é jornalista esportivo, com mais de 20 anos de experiência na cobertura do futebol brasileiro. Já participou de três Copas do Mundo e três Olimpíadas, além de diversos outros eventos nacionais e internacionais. É setorista especializado em Corinthians desde 2009. Atualmente, apresenta dois programas diários no Canal Meu Timão e é repórter e setorista do Corinthians e da seleção brasileira na TMC. Também atua como apresentador de um programa diário no Canal Time do Povo e é o criador e proprietário do Canal PodcasTimão, projeto digital voltado à análise dos bastidores do Corinthians.

Corinthians pagar R$ 3 milhões por Alisson é um absurdo

Pedido de Dorival Júnior expõe uma operação cara, sem retorno esportivo claro e incompatível com a realidade financeira do Corinthians

O Corinthians analisa uma proposta do São Paulo que, honestamente, não fecha a conta. O modelo é simples: empréstimo de uma temporada do volante Alisson, com pagamento de R$ 1,5 milhão à vista e mais R$ 1,5 milhão caso o jogador atinja 25 partidas. Um empréstimo que pode custar R$ 3 milhões. Só o valor já acende o alerta.

Não é uma discussão sobre caráter, entrega ou profissionalismo do atleta. Alisson é experiente, conhece o futebol brasileiro e pode ajudar dentro de um elenco. O problema está na lógica da operação. O jogador tem 32 anos, não chega como estrela, não é ativo de mercado e não gera qualquer tipo de retorno futuro. Para esse perfil, pagar esse valor por apenas um ano é exagero — e um exagero difícil de justificar.

O dado de mercado ajuda a dimensionar o erro. Alisson tem valor estimado em cerca de R$ 8 milhões. Ou seja, o Corinthians pagaria quase 40% desse montante apenas para utilizá-lo temporariamente, sem contrato definitivo e sem perspectiva de permanência. É caro demais para ser empréstimo. E inseguro demais para ser tratado como aposta.
Esse movimento ganha um peso ainda maior quando se lembra que se trata de um pedido direto de Dorival Júnior. Técnicos pedem jogadores, isso é normal. O que não pode ser normal é a diretoria aceitar qualquer condição sem filtrar custo, idade, retorno e impacto financeiro. Pedido de treinador não pode se transformar automaticamente em cheque assinado.

O Corinthians vive um momento em que cada decisão precisa ser cirúrgica. Dívidas, transferban, folha salarial pressionada e pouca margem para erro. Nesse cenário, gastar até R$ 3 milhões em um empréstimo de um jogador veterano soa como reincidência. Se jogar pouco, o investimento já será alto. Se jogar muito, fica ainda mais caro. Em nenhum dos casos o clube sai fortalecido.

O Corinthians precisa aprender a dizer não — inclusive para o próprio treinador quando a conta não fecha. Essa contratação, do jeito que está desenhada, não resolve problema estrutural, não cria patrimônio e só aumenta o risco. O Corinthians simplesmente não deveria fazer isso.