Pesquisadores identificaram uma silhueta de mão na caverna Liang Metanduno, na ilha de Sulawesi, Indonésia, com pelo menos 67,8 mil anos.
A pintura rupestre pode ser a a mais antiga já documentada até o momento. A descoberta foi divulgada nesta quarta-feira (21/01) na revista científica Nature. O achado fornece novas evidências sobre as rotas migratórias dos primeiros humanos que se deslocaram para a Austrália.
A idade da pintura foi determinada através da análise de depósitos minerais formados naturalmente sobre a rocha. Os cientistas examinaram camadas de material que se acumularam antes e depois da criação da arte, estabelecendo assim a idade de mais de 67 mil anos.
Siga a TMC no WhatsApp e fique por dentro das últimas notícias do Brasil e no mundo
Este achado redefine significativamente a cronologia das expressões artísticas humanas conhecidas. A idade da pintura apoia a hipótese de que os primeiros humanos chegaram à Austrália há cerca de 65 mil anos, contrariando teorias anteriores que sugeriam uma ocupação mais recente, de aproximadamente 50 mil anos.
A caverna Liang Metanduno está localizada na ilha de Muna, no sudeste de Sulawesi. Esta região do Sudeste Asiático representa um ponto crucial para compreender os movimentos migratórios humanos, funcionando como possível corredor para os grupos que se dirigiam ao continente australiano.
As pesquisas indicam que a caverna serviu como centro de produção artística por um período extraordinário. Os habitantes locais criaram pinturas ao longo de pelo menos 35 mil anos, com atividade artística continuando até aproximadamente 20 mil anos atrás, demonstrando uma tradição cultural persistente mantida por gerações.
Os cientistas descobriram que os contornos dos dedos na silhueta foram modificados intencionalmente após sua criação inicial. As alterações tornaram os dedos mais estreitos, dando à imagem a aparência de uma garra. Embora esta modificação provavelmente tenha significado simbólico, sua interpretação exata permanece incerta.
A descoberta destaca a importância da rota norte no processo migratório dos primeiros humanos que chegaram à Austrália. Durante esse período, a Austrália integrava Sahul, uma massa continental que também incluía a Tasmânia e a Nova Guiné.
De acordo com os pesquisadores, os grupos que produziram a arte em Sulawesi faziam parte de uma população maior que, ao longo de milênios, se dispersou pelo Sudeste Asiático e eventualmente alcançou Sahul. A presença desta arte antiga em Sulawesi evidencia a relevância da rota migratória norte, que passava por ilhas como Sulawesi em direção à Nova Guiné, diferentemente da rota sul, que envolvia travessias marítimas mais diretas até o norte da Austrália.
O estudo foi realizado por uma equipe internacional em colaboração com a agência nacional de pesquisa da Indonésia (BRIN) e a Southern Cross University, com resultados publicados na revista “Nature”.
