Apesar das expectativas, a atriz brasileira Tânia Maria, de 79 anos, não conquistou uma indicação a melhor atriz coadjuvante no Oscar 2026 nesta quinta-feira (22/01). Ela chamou a atenção do mundo por sua atuação como Dona Sebastiana no filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho.
Elle Fanning (Valor Sentimental), Inga Ibsdotter Lilleaas (Valor Sentimental), Amy Madigan (A Hora do Mal), Wunmi Mosaku (Pecadores) e Teyana Taylor (Uma Batalha Após a Outra) foram as cinco indicadas pela Academia à melhor atriz coadjuvante. As indicações foram anunciadas em uma live nesta quinta-feira (22/01) no Youtube da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pela premiação. Nos comentários, era alta a expectativa pela indicação da brasileira. Publicações especializadas, como Variety e The Hollywood Reporter, apontavam a atriz como possível candidata à indicação.
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A carreira de atriz começou de forma tardia. Tânia Maria pisou em um set de filmagens pela primeira vez aos 72 anos, sem qualquer plano de se tornar atriz. Até então, sua vida era dedicada ao artesanato, atividade que exerceu por décadas no Rio Grande do Norte, onde produzia tapetes e peças têxteis para sustento próprio.
O primeiro trabalho veio em “Bacurau” (2019), também dirigido por Kleber Mendonça Filho, após chamar a atenção da equipe de elenco durante as filmagens no interior potiguar. Desde então, sua vida mudou “da água para o vinho”, como ela mesma define.
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Em “O Agente Secreto”, Tânia Maria divide cena com Wagner Moura, protagonista do longa, e ganhou destaque internacional com uma atuação elogiada pela crítica. O filme já havia acumulado reconhecimento ao vencer dois prêmios no Festival de Cannes, incluindo melhor direção para Kleber Mendonça Filho e melhor ator para Wagner Moura, além de triunfar no Globo de Ouro como melhor filme em língua não-inglesa.
A repercussão do trabalho levou o nome de Tânia Maria a veículos internacionais como o The New York Times, que destacou sua presença em cena e sua trajetória singular.
Mesmo com a projeção global, Tânia mantém um discurso simples e direto sobre a própria carreira. Durante as filmagens, afirmou que não pensava em prêmios ou reconhecimento: “Eu pensei em estar ali, brincando, trabalhando. Não pensei que seria esse sucesso enorme”.
A atriz também se tornou símbolo de uma visão ativa sobre o envelhecimento. Inspirada por conselhos de Fernanda Montenegro, Tânia costuma repetir que “idade não quer dizer nada” e rejeita a ideia de que envelhecer signifique parar. “Eu não sou velha. Eu quero trabalhar”, afirmou em entrevistas recentes.
Atualmente, Tânia Maria tem seis filmes previstos para 2026, agenda que reforça sua consolidação no cinema brasileiro.
