A troca pública de farpas entre Elon Musk e a Ryanair entrou na segunda semana e ganhou novos capítulos após o bilionário voltar a sugerir a compra da maior companhia aérea de baixo custo da Europa. A provocação ocorreu depois de mais um confronto direto com Michael O’Leary, CEO histórico da empresa irlandesa.
Na segunda-feira (19/01), Musk publicou uma enquete no X perguntando se deveria adquirir a Ryanair e “restaurar Ryan como seu legítimo governante”, em referência a Tony Ryan, cofundador da companhia, morto em 2007. Antes disso, o empresário respondeu a uma postagem da empresa questionando quanto custaria comprá-la e voltou a exigir a demissão de O’Leary.
O embate começou na semana passada, quando O’Leary afirmou que não pretende instalar a internet via satélite Starlink, da SpaceX, na frota da Ryanair. Segundo o executivo, as antenas aumentariam o peso e o arrasto aerodinâmico, elevando os custos com combustível em até US$ 250 milhões por ano. Musk reagiu dizendo que o CEO estava “mal informado”, ao que O’Leary respondeu chamando o bilionário de “idiota”.
A disputa ganhou tom ainda mais público nesta terça-feira (20/01), quando O’Leary anunciou, pela conta oficial da Ryanair no X, que iria “resolver a birra de Elon Musk” em uma entrevista coletiva marcada para quarta-feira (21/01), em Dublin. Logo depois, a empresa lançou uma promoção batizada de “Big ‘Idiot’ Seat Sale”, oferecendo 100 mil passagens a partir de cerca de US$ 20, com imagens em tom de deboche de Musk e O’Leary.
Apesar do tom humorístico, o episódio teve reflexos no mercado. As ações da Ryanair caíram 1,2% no pregão de Dublin. A companhia tem valor de mercado estimado em 30 bilhões de euros, cerca de três vezes o tamanho do grupo Lufthansa. Ainda assim, O’Leary minimizou o impacto e afirmou que a polêmica trouxe retorno positivo: segundo ele, as vendas subiram 3% desde o início do embate, em um período do ano que normalmente registra queda na demanda.
“Gostaríamos de agradecer sinceramente a ele pela publicidade adicional”, ironizou O’Leary em coletiva transmitida por emissoras internacionais. A página da promoção, segundo a empresa, foi acessada por mais de 4 milhões de pessoas.
Apesar das provocações, especialistas e investidores veem a hipótese de compra com ceticismo. As regras da União Europeia exigem que companhias aéreas do bloco sejam majoritariamente controladas por cidadãos europeus, o que impediria Musk, sul-africano naturalizado norte-americano, de assumir o controle da Ryanair. Além disso, operações desse porte enfrentam fortes barreiras concorrenciais, como mostrou o cancelamento de grandes fusões no setor nos últimos anos.
A situação lembra o precedente do Twitter, quando uma troca aparentemente casual nas redes sociais acabou se transformando, anos depois, na compra da plataforma por US$ 44 bilhões. Ainda assim, no caso da Ryanair, o consenso é que a disputa permanece, por ora, no campo da provocação, do marketing e do espetáculo nas redes sociais — com ganhos de visibilidade para a companhia aérea e mais um episódio no histórico de confrontos públicos de Elon Musk.
