Os movimentos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm sido acompanhados de perto pela imprensa e por lideranças europeias. Em Londres, a avaliação predominante é de um misto de alívio e cautela. Isso ocorre tanto pelo histórico de Trump quanto pela falta de clareza sobre decisões anunciadas nos últimos dias.
Em Davos, Trump participou da cerimônia de abertura do chamado Conselho da Paz. A iniciativa, no entanto, já enfrenta resistência. Líderes europeus, como o presidente francês Emmanuel Macron, afirmaram que não pretendem participar. O Reino Unido também se posicionou contra, principalmente por causa da presença do presidente russo, Vladimir Putin. Diante desse cenário, os passos do conselho têm sido observados com reserva.
Outro tema que ganhou destaque foi a Groenlândia. Trump chegou a Davos afirmando que não usaria força militar para tomar o território. No entanto, após uma reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, o discurso mudou. Trump declarou que não aplicará tarifas a oito países que apoiaram a Groenlândia, entre eles Reino Unido, França e Alemanha. Além disso, afirmou que houve um acordo com Rutte para estabelecer uma estrutura de plano sobre o futuro da região, sem apresentar detalhes.
Segundo as informações disponíveis, a conversa entre Trump e Rutte teve como foco a segurança do Ártico. Não teria sido discutido, neste momento, o controle da ilha pelos Estados Unidos. Ainda não está claro se os americanos teriam acesso aos minerais da Groenlândia, como terras raras, ou maior controle sobre áreas onde já mantêm bases militares.
A Dinamarca reagiu afirmando que a Otan não pode negociar a soberania do país. A Groenlândia pertence ao território dinamarquês, e ainda é incerto qual será o nível de envolvimento de Copenhague em qualquer proposta futura. Apesar de um clima aparentemente mais calmo em Davos, uma reunião de emergência entre líderes europeus segue confirmada para discutir o tema, incluindo possíveis respostas comerciais.
No campo econômico, o acordo entre União Europeia e Mercosul também avançou para uma nova fase de incerteza. O Parlamento Europeu aprovou o envio do texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia, que irá avaliar sua legalidade. A votação foi apertada, com diferença de apenas dez votos, refletindo a forte oposição de setores ligados à agricultura, especialmente na França e na Espanha.
Com isso, um acordo que poderia ser ratificado por volta de maio pode agora enfrentar um adiamento de até dois anos. A Comissão Europeia estuda alternativas, como a implementação temporária antes da ratificação parlamentar, hipótese defendida pelo chanceler alemão Friedrich Merz. Trata-se de um mecanismo possível, embora incomum, e que evidencia o embate político entre Alemanha e França sobre o tema.
