Igor Calvet, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), adotou a cautela para projetar o ano de 2026 no mercado automotivo, em entrevista à TMC, nesta sexta-feira (23/01).
Calvet atribuiu a postura às instabilidades geopolíticas e à elevada taxa de juros. “Temos um otimismo contido em relação a 2026. Há muitas variáveis abertas ainda, quanto a acordos comerciais, instabilidade mundial, mudanças tarifárias”, declarou.
“O ano começou muito intenso para a nossa região, a América Latina como um tudo. Uma ação contundente dos EUA na região”, afirmou, ao citar a ação militar americana na Venezuela.
O presidente da Anfavea acredita que as questões geopolíticas continuarão a ter efeito direto na produção e venda de veículos no Brasil neste ano. “Temos o acordo com a União Europeia, a China indicando sua prioridade na região. Estamos no foco estratégico de muitos polos da economia mundial. Isso tem rebatimentos no setor automotivo, que é global”, declarou.
“Temos uma cadeia produtiva bastante longa. Por isso é que estas instabilidades acabam por prejudicar toda a nossa cadeia. São peças vindas de muitas partes do Brasil, mas também vindas da Ásia, EUA, Europa. Estas questões tarifárias e geoeconômicas acabam influenciando o custo final do produto e a prontidão do produto para chegar ao consumidor”, completou.
Calvet comentou também sobre a produção e venda do ano passado, consideradas abaixo do esperado. “Os números de 2025 foram bons, mas ainda inferiores aqueles que esperávamos. Fechamos 2025 com crescimento de 2,1% em relação a 2024. No total, tivemos o emplacamento de 2,6 milhões de veículos no país. Esperávamos o dobro no crescimento porcentual. Mesmo assim, o ano fechou positivamente para nós.”
